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O dia de ontem iniciou com uma celebração eucarística presidida pela Província do Burundi, seguindo a prática de cada Província ser responsável por um momento celebrativo. Assim, com os olhos da imprensa e de todo o mundo voltados para eles e elas, os bispos e esposas dedicaram seu dia a refletir sobre o divisivo tema da sexualidade humana.
Consenso não houve, é verdade, mas alguns passos significativos foram dados, de acordo com o porta-voz da Conferência, Arcebispo Philip Aspinal. Pelo menos o tom das discussões avançou muito em termos de respeito e sincera escuta do outro.

A expectativa de que seria revisitada a resolução 1.10 da Conferência passada não teve fundamento. A questão da sexualidade humana não é algo que possa ser definida sua percepção por uma simples definição. A Igreja deve continuar a discutir o assunto num permanente processo de escuta. Onde não há consenso o melhor caminho é continuar a conversa.
Aqui e ali, durante o dia, muitas falas um tanto desejosas de uma definição ou regulação mais definitiva foi ouvida. O campus da Universidade de Kent estava cheio de seguranças e policiais, temendo talvez manifestações mais exaltadas de grupos mais conservadores ou liberais. Mas não houve nenhum episódio de confronto. Foi só uma questão de prevenção da parte da organização da Conferência.
O bispo Collin Johson da diocese de Toronto reconheceu que foi muito produtiva a discussão, a despeito de não se ter chegado à um consenso, mas que houve o reconhecimento dos diferentes contextos nos quais os bispos enfrentam essa questão. O Cônego Philip Groves, facilitador do processo chamado Listening Process afirmou que o mais importante do dia foi os bispos terem encontrado um espaço onde com confiança pudessem ouvir diferentes opiniões sem que isso afetasse suas relações pessoais ou levasse a reações de desrespeito, como aconteceu em 1998.

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Para tanto, um vídeo com uma palavra do Arcebispo no inicio das atividades do dia chamou a atenção para a necessidade de uma discussão objetiva, sincera e que leve em consideração que muita coisa ainda há por se fazer para alcançar um consenso.

Nossos bispos testemunharam a importância do diálogo e elogiaram a metodologia adotada.

Por Francisco de Assis Silva
O Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva é o Secretário Geral da IEAB

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Neste 24 de julho a capital da Inglaterra assistiu a um mar de púrpura caminhando por algumas de suas ruas centrais com cartazes e faixas clamando aos líderes do mundo pela superação da pobreza. Foi o chamado London Day da Conferência de Lambeth. A caminhada que durou aproximada uma hora e meia contou com ampla cobertura de imprensa e representou um importante momento momento de unidade que a Igreja experimenta quando trata de uma agenda que afeta a todos. Conservadores e progressistas suspendem suas discordâncias sobre alguns temas teológicos e éticos para enfrentar o verdadeiro gravíssimo problema ético e teológico: a existência de fome e miséria no mundo!
A marcha passou defornte o Parlamento e chamou a atenção dos londrinos pelas medidas de segurança e alteração de tráfego muito gentilmente monitoradas pela polícia. Dos ônibus que trafegavam com turistas era possível ver as manifestações de apoio através de gritos e de acenos. Algo não muito comum no dia a dia do mundo de hoje: uma marcha de bispos em torno de questões politicamente relevantes.
Os bispos foram recebidos no Palácio de Lambeth pelo Arcebispo de Cantuária e tiveram um encontro com o Primeiro Ministro Gordon Brown. Neste encontro, que contou também com uma fala da representante anglicana na ONU, Sra. Helen Wangusa, discutiu-se a urgência de ações concretas por parte dos governos do mundo para alcançar os níveis propostos pela ONU no ano de 2015. Trata-se dos chamados Objetivos do Milênio que pretendem superar a pobreza e a exclusão econômica e social dos países pobres.

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Pelo que se tem de concreto até agora, muitos dos objetivos não serão atingidos até a data proposta. A título de exmplo, citados ontem pelo Primerio Ministro, as áreas de educação infantil e de mortalidade infantil ainda dependerão de investimentos e ações mais concretas para que se alcancem otimisticamente em torno de 2050.
A participação brasileira no London Day foi integral e terminou com uma visita ao Palácio de Buckingham, onde os bispos e esposas foram recebidos pela Rainha Elizabeth II com cumprimentos e um chá, no que é tradicionalmente parte da agenda de cada Conferência de Lambeth.
Em seguida, o Deão Colin Slee, da catedral de Southwark, ofereceu aos brasileiros presentes à Conferência uma festa de boas vindas. Em se tratando de uma festa para brasileiros e o Deão Colin Slee conhece muito bem nossos costumes, não poderia deixar de ser um delicioso churrasco. A acolhida do deão aos bispos, esposas e brasileiros presentes a Lambeth foi um gesto de carinho de um grande amigo do Brasil. Foi um reencontro depois da vinda dele ao Brasil, em abril último, para a reunião da Câmara dos Bispos.

Por Francisco de Assis Silva
O Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva é o Secretário Geral da IEAB