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As dioceses que formam a Área Provincial III da IEAB - Brasília, Recife, Amazônia e Distrito Missionário - participaram, nos dias 10 a 13 de outubro, no Instituto São Boaventura, em Brasília- DF, do Indaba (diálogos) sobre “Famílias e Diversidade Sexual”. Esse foi o segundo encontro realizado - o primeiro aconteceu na Área I, em Curitiba, no mês de setembro  - para debater sobre familia sexualidade humana, atendendo  deliberação  do último Sínodo para que houvesse ampla discussão, em toda a IEAB, sobre o tema. 

Num clima de cordialidade e respeito pelas posições contrárias, o Indaba transcorreu em forma de “roda de conversas” a partir de exposições feitas por palestrantes convidados. A metodologia usada foi a da escuta, permitindo que todos se expressassem livremente, desde o primeiro momento, sem barreiras ou censuras, o que resultou num ambiente fraterno de diálogo entre os participantes. 

 O encontro começou na sexta, dia 10, com oração dirigida pela Diocese da Amazônia, utilizando a espiritualidade do labirinto, seguido de conversa sobre a situação atual das nossas comunidades/dioceses em relação ao tema proposto e, no final da tarde, celebração da Eucaristia por Dom João Peixoto, da Diocese Anglicana do Recife.

 No sábado, a primeira palestra foi do reverendo Miguel Cox, da Igreja Episcopal Cristã,do Recife, que abordou o tema proposto a partir das Sagradas Escrituras como princípio de autoridade na Igreja. Coube a ele apresentar uma visão do tema, defendendo entre outros pontos, a importância dos textos bíblicos para entendimento do tema.

 Após “roda de conversa” nos grupos, os participantes ouviram a palestra do professor André Musskopf, que abordou o tema a partir de uma leitura biblica na visão LGBT. Para ele, a causa da desestruturação atual das famílias é o modelo capitalista da sociedade. Defendeu, também, uma nova maneira de leitura da Bíblia que permita a inclusão de todas as pessoas,independente da sua orientação sexual. Para completar as exposições, a reverenda Lilian Conceição Lira, da Diocese Anglicana do Recife, falou sobre o tema da sexualidade a partir da visão de gênero, refletindo a partir da sua própria experiência na IEAB e DAR.

Coordenado pela equipe do Centro de Estudos Anglicanos (CEA), o Indaba da Área III reuniu cerca de 50 pessoas. A condução  metologica das plenárias foi do professor Paulo Ueti, da Diocese Anglicana de Brasília. As liturgias, elaboradas a partir da espiritualidade do labirinto, ficaram sob responsabilidade das dioceses e distrito missionário. O encontro foi encerrado, no domingo, dia 12, com a celebração da Eucaristia, presidida por Dom Maurício Andrade, bispo da Diocese Anglicana de Brasília.

Texto: Revd. Felix Batista Filho - Diocese Anglicana do Recife

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“Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder (movimento) seja de Deus e não de nós”  II Corintios 4,7

  

1.Queridas irmãs e queridos irmãos em Cristo reunidos na XXXII Reunião do Concílio da Diocese Anglicana de Brasília, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, a Paz do Senhor esteja sempre conosco!

2.     Neste ano, nosso Concilio reúne-se na moldura do Tempo de Pentecostes, e, com certeza, tempo de sentir o vento do Espirito Santo de Deus que se mexe  em  nossos caminhos e  nos trás movimento de vida.

3.      É preciso deixar-nos envolver pelo sentimento de ação de graças pela vida que se renova a cada dia e que nos reúne aqui em Goiânia neste Kairos ( momento de Deus) da vida diocesana, quando nos preparamos para celebrar os primeiros 30 anos da Diocese Anglicana de Brasília  (1985-2015). Assim, podemos dizer juntos:  “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, bendiga todo meu ser o Nome santo. Bendize ao Senhor, ó minha alma, e não te esqueças seus benéficos” Salmo 103,1-2

4.      Nossa reunião Conciliar se envolve, ainda, na coragem profética e eloquente de São  João Crisóstomo, Patriarca de Constantinopla, um dos mais importantes patronos do cristianismo primitivo, conhecido pela sua eloquência (“Boca de Ouro”) e também pelas sua denúncias aos abusos cometidos por líderes políticos e eclesiásticos de sua época.

5.      Assim, podemos recordar  a Oração que é parte de nossa espiritualidade do Oficio Diário do Livro de Oração Comum: “Deus, Todo Poderoso, que nos deste hoje a graça de, concordemente reunidos, te dirigirmos as nossas preces, prometendo que onde se congregassem dois ou três em teu Nome atenderias as seus rogos; cumpre agora, ó Senhor, os desejos e orações de teus servos, segundo a estes mais convier, concedendo-nos neste mundo conhecimento da tua verdade e, no vindouro a vida eterna. Amém” LOC, 41.

6.      Rogo a Deus que possamos ouvir as palavras que Ele vai nos falar nestes dias em Concilio, e que nos levem a caminhos e desafios muito além do que imaginamos. Porque precisamos nos colocar neste caminho e nos deixar mover pelo Poder de Deus, pela Energia de Deus e pelo Movimento de Deus em nossa vida.

7.      No contexto deste Concilio, quero expressar minha gratidão, pois pela vontade de Deus e eleição do povo completei 11 anos de serviço junto a vocês como Bispo da Igreja de Deus.

8.      Reafirmo e renovo meu compromisso com este chamado de Deus,  sempre na certeza de que “coragem não é ausência do medo. É lançar-se, a despeito do medo” (Rubem Alves).

9.      Animando pela inspiração do serviço transformador, recordo as palavras de  Dom Helder Câmara “o importante não é fazer o impossível para parar o tempo, mas aproveitar o tempo para transformá-lo em eternidade”.

10. Quero convidar todos vocês a, junto comigo, nos oferecermos mais uma vez a Deus para segui-lo, oferecendo os nossos tesouros em vasos de barro.

11. O lema que nos inspira neste ano vem dos escritos de São Paulo: “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder (movimento) seja de Deus e não de nós”  II Corintios 4,7.

12. Desejo que possamos mergulhar ainda mais profundo nesta certeza que trazemos conosco, este tesouro em vasos de barros. Precisamos partilhar cada dom de serviço que temos com a outra pessoa que está aqui e ali ao nosso lado, reconhecendo nossa fraqueza humana na constante compreensão de que o Poder (Dinamos) de Deus excede a capacidade da vasilha.

13. Na preparação para este momento de Concilio, quatro estudos bíblicos foram cuidadosamente elaborados e preparados por Paulo Ueti.  Conforme  o material enviado “As cartas autênticas mostram um Paulo bastante preocupado com as comunidades e muito intencionado a faze-las mais fiéis aos ensinamentos de Jesus, o crucificado.  Paulo das cartas autênticas está muito impactado pelo escândalo e loucura da Cruz (1Cor 1-3). Ele assumiu a teologia que Jesus mesmo assumiu do “servo sofredor” de Isaías 40-55. (Paulo Ueti)

14. Ao considerar o conjunto da vida de Paulo e suas cartas, parece-nos que sua vida está vinculada a uma experiência determinante de assumir a fé como um compromisso total, como uma projeção global da vida na qual se empenha até o último esforço. Ele organiza seu mundo a partir de um amor abarcador: que tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. [1]

15. O Paulo que se manifesta em suas cartas como um homem apaixonado pelo que faz, que está entregue à sua missão, cujos limites, por vezes, ficam imprecisos. É um convicto do compromisso da fé, que arrasta com sua força e determinação. De outro turno, é um homem consciente de seu mundo, dos problemas das pessoas, sensível às dificuldades que surgem pela vivência da fé no meio de uma cultura dominante.

16.  Nessa trilha de preparação, o quarto estudo colocou o contexto de nosso tema inspirador: “Nosso texto lema do Concílio nos recorda que há tesouros em nossas vidas que levamos em vasos de barro (recipientes frágeis). E isso pode ser para nos ajudar a cuidar desses tesouros porque podemos sumir. Temos que cuidar dos vasos também, dos recipientes. Os recipientes fazem parte do seguimento pleno de Jesus” (Paulo Ueti)

17. (…) carregamos tesouros em vasos de barro para poder expressar que Deus age e que nós vivemos (agimos) de acordo com Deus. É um desafio para  mudar os óculos com os quais lemos a vida e a Bíblia, os óculos com os quais avaliamos as pessoas e a igreja, os óculos com os quais vivemos no mundo da politica (do bem público).” ( Paulo Ueti)

18. O desafio para nós, hoje, é pararmos e pensarmos como e qual tem sido o movimento de Deus em nossas vidas? E é neste movimento de vida que  somos  parte  com nossos sonhos, desejos, corpos e expressões.

19. O que fazer com o tesouro que temos em nossas mãos nesta frágil vasilha de barro?

20.O tesouro e a frágil vasilha de argila nos é dada por Deus, e o maior valor da vida é nos reconhecermos na beleza de sermos “imagem e semelhança de Deus” (cf.  Gênesis 1,26).

21. O Reino de Deus não se realiza mecanicamente fora das pessoas, mas sim dentro dos atos humanos. São pessoas que fazem o Reino, embora os seus atos procedam de Deus.

22.Cada movimento de Deus nos coloca no olhar com e para o outro reconhecendo a riqueza da vida e da “vida em abundância”. (cf. São João, 10,10).

 23. No movimento da vida e na realidade em que estamos inseridos, é urgente aprofundar qual o nosso desafio de ser Igreja Anglicana no Centro Oeste do Brasil, qual nossa contribuição para a transformação de vidas? Como manter o desafio da profecia?

24.O desafio, hoje, é nos colocarmos, com nossas fraquezas e limitações humanas, oferecendo o tesouro da vida que temos recebido de Deus. É necessário  caminharmos juntos sem deixar ninguém de fora, acolhendo e recebendo todas as pessoas, porque missão é encontro, missão é cuidar, é envolver-se no seguimento do Cristo  ao exemplo do diálogo de Jesus  com a mulher Sirio Fenicia. “.. Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” (cf. Mateus 15,24).

25. A Missão de Deus nos desafia e nos chama a sermos fermento, sal e luz do mundo. A atual realidade política e, muito especialmente, o tempo de eleições que se aproxima exigirá discernimento.

26. O Sínodo realizado em novembro de 2013 assumiu vários compromissos e encaminhamentos envolvendo questões pastorais.  O desafio de restauração do trabalho com a Juventude tornou-se uma prioridade Provincial. A Igreja  assumiu o compromisso de aprofundar  o diálogo  sobre famílias e sexualidades humanas, e a Diocese Anglicana de Brasília estará participando desse processo de diálogos.

27. A Missão  nos envolve em perceber os avanços e darmos graças a Deus.  Enquanto estamos celebrando este Concilio, quero trazer a lembrança histórica da primeira celebração eucarística em Goiânia. O Rev Guilherme Luz,  em 08 de novembro de 1981, no Vigésimo Segundo Domingo depois de Pentecostes, na casa da Sra Isolda Santana, com a presença do Rev Guiherme, Dona Ivonete Luz, Sra Isolda e seu marido e três filhos. Demos graças a Deus.

28. Damos graças a Deus pelo resultado do Apelo Anual Episcopal em 2013 e 2014. Damos graças a Deus pelo caminhar da Comissão de Planejamento Pastoral e Missão – CPPM, que visitou todas as comunidades diocesanas. Damos graças a Deus pela construção do primeiro Centro Social Anglicano da Diocese Anglicana de Brasília. Damos graças a Deus pelos caminhos de missão da vida diocesana.

29.A partir deste Concilio, estaremos dando a partida para celebrar em Ação de Graças pelos primeiros 30 anos da Diocese Anglicana de Brasília (1985-2015). O Ano de 2015 será marcado por eventos nos diferentes pontos da Diocese (Brasília, Goiás e Tocantins), vamos celebrar.

30. A Missão é criativa, reconciliadora e transformadora pela ação de Deus, que flui da comunidade de amor, fundada na Trindade, revelada a toda humanidade na pessoa de Jesus e confiada ao contínuo testemunho do povo de Deus no poder do Espírito Santo. (João 20,21-23)

31.Não é demais reafirmar que a Igreja existe no poder do Espírito Santo para:

·      Proclamar as boas novas do Evangelho;

·      Batizar e nutrir a quem se converte;

·      Expressar o serviço de amor e solidariedade;

·      Lutar contra as estruturas injustas da sociedade;

·      Preservar a beleza da criação renovando o cuidado com a vida;

·      Construir a cultura da paz e do diálogo.

32. Assim como Igreja de Cristo, e a partir desses caminhos (Marcas da Missão), somos desafiados a viver os valores do reinado de Jesus com integridade, com lealdade, com zelo, e, sobretudo, em serviço ao próximo.

33.Neste caminho quero desafiar a Diocese para que:

1) No ano de 2015 possamos juntos unir os esforços de celebração em ação de graças pelos 30 anos da vida diocesana no Centro Oeste;

2) Manter nosso caminhar de Planejamento Pastoral e Missão,  nos três eixos:

a)   Ensino e Formação para Missão;

b)  Responsabilidade Cristã;

c)   Direitos humanos e Diaconia Social;

3) Cada comunidade diocesana em suas ações pastorais e de missão priorizem a participação e envolvimento da juventude.

Que  possamos juntos celebrar mais uma vez, porque a Festa Continua!

Que a força de Deus nos guie;

Que o poder de Deus nos preserve;

Que a sabedoria de Deus nos instrua;

Que a mão de Deus nos proteja;

Que o caminho de Deus nos dirija;

Que o escudo de Deus nos defenda;

Que Deus nos proteja contra as ciladas do mal e as tentações do mundo. AMÉM!