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Por Revdo. Félix Batista Filho, DAR

Parte do Clero das dioceses anglicanas de Brasília, Recife, Amazonas e do Distrito Missionário participaram, no Recife, de 02 a 06 de maio, da Partilha Ministerial Teológica da Área Provincial III. Pouco mais de vinte reverendos e reverendas, além dos respectivos bispos diocesanos, debateram durante os dias do encontro, no Hotel Barramares, na Praia de Piedade, a questão da ética na vida ministerial.

Estavam presentes Dom Maurício Andrade, bispo primaz da IEAB, diocesano de Brasília e também responsável pelo Distrito Missionário; Dom Sebastião Armando, da Diocese Anglicana do Recife; e Dom Saulo Barros, da Diocese Anglicana da Amazônia. O encontro começou na quarta, dia 02 de maio, à noite, com uma oração e reunião de acolhida com todos os participantes.

Na quinta, dia 03 de maio, a assessoria foi do padre Marcelo Barros, monge beneditino, que refletiu sobre o tema “Ética para uma humanidade nova”. Após explanar sobre “ética e espiritualidade”, o palestrante apresentou as características para uma ética cristã, enfatizando a “ética latino-americana” e, por fim, as questões éticas para igreja em relação com o mundo; com outras igrejas e religiões; em relação à própria comunidade e, por fim, entre nós mesmos. A oração da manhã foi preparada pela Diocese Anglicana do Recife e do final da tarde foi conduzida pela Diocese Anglicana da Amazônia.

A sexta, dia 04, começou com a oração matutina a cargo da Diocese Anglicana da Amazônia. Em seguida, reunião especial sobre o Serviço Anglicano de Diaconia e Desenvolvimento - SADD, conduzida pela coordenadora nacional, Sandra Andrade, onde foram apresentados os principais projetos sociais da IEAB no Brasil. À tarde, a assessoria foi do Reverendo Ariel Montero, da DAR, com o tema “Ética e moral na crise atual – estudo da questão do Anglicanismo”.

No sábado, dia 05, continuação da palestra do Revdo. Ariel, seguida de encontro para tratar de assuntos referentes à Área Provincial III, onde foram estabelecidas as prioridades de ações para serem desenvolvidas nos próximos anos na área provincial. Todos os presentes, por unanimidade, aprovaram a continuação dos encontros de partilha ministerial, como forma de estreitamente de amizades, troca de experiências pastorais e busca de unidade no serviço à Igreja no ministério ordenado na IEAB.

À noite, os participantes da partilha tiveram um encontro de confraternização e troca de experiências com a liderança leiga da Catedral Anglicana da Santíssima Trindade, da DAR, concluindo com jantar regional.

O encerramento da Partilha Ministerial aconteceu, no domingo, 06 de maio, durante a celebração Eucarística das 10 horas na Catedral da Santíssima Trindade, no bairro do Espinheiro, no Recife, com pregação do bispo Primaz, Dom Maurício Andrade.

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Qui
3
Mai

A Igreja Anglicana e a Rio+20

11:48 pm

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“Tomou, pois, o Senhor Deus a humanidade

 e a colocou no Jardim do Éden

para cultivar/servir e guardar”

(Gênesis, 2:15)

No contexto  da reflexão sobre o cuidado com o planeta, diante do gemido da natureza  e na certeza de que cada pessoa, em sua diferente realidade, precisa se envolver e desenvolver ações concretas de cuidado com a Criação,convido a Comunhão Anglicana a comprometer-se rumo à Rio +20 - Conferência da Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável - através da participação na Cúpula dos Povos, entre os dias 13 a 22 de junho, na cidade do Rio de Janeiro/Brasil.

A Rio+20 fechará  um importante ciclo iniciado na Eco-92. A Cúpula dos Povos, movimento da sociedade civil organizada, poderá proporcionar um reencontro com o centro da fé cristã, expresso no amor incondicional do Criador para com a Criação, através de um presente e futuro justo, ético, transformado e sustentável. Ou simplesmente, poderá passar ao largo das nossas vidas, mantendo a hegemonia daqueles que querem o lucro fácil à custa da sangria da natureza e dos povos empobrecidos e excluídos.

É importante perceber o que está envolvido nessa  Conferência, se vamos seguir adiante com esse modelo de produção e consumo insustentável, privilegiador de um pequeno grupo, ou se iniciaremos uma transformação para outros modelos, como já afirmou a Eco-92 e tantas outras conferências da ONU que infelizmente os governos e as corporações transnacionais negam-se cumprir com suas responsabilidades.

Somos testemunhas que a civilização humana enfrenta uma crise multidimensional abrangendo aspectos econômicos, sociais, ambientais, culturais e por que não dizer, espirituais. Em nosso modo de ver, uma crise de valores que anuncia o ocaso da velha civilização. Poderá igualmente significar a aurora de um novo tempo para todos nós, irmãos e irmãs que habitamos a mesma casa comum. Nesse sentido, nos inspiremos no exemplo daquele que “acreditou contra toda esperança” (Rom 4:18) e colaborou  para que a vida da humanidade fosse mais abundante.

A palavra profética de Gênesis2:15, nos convoca a uma responsabilidade impar de cuidar e de zelar nosso jardim comum, como obra da Criação e continuação da revelação do Deus da Misericórdia e da Justiça.

Nós continuamos a Missio Dei que deve ser a Missio Ecclesia: dizer uma palavra e criar, não destruir; apresentar-se e libertar e não escravizar ou privatizar; encarnar-se e solidarizar-se e não imperializar-se;  gerar a vida e o cuidado e não abandonar ou silenciar. Assim, somos desafiados a  lutar pela salvaguarda da integridade da criação, sustento e renovação da terra”, uma das Cinco Marcas da Missão  do Conselho Consultivo Anglicano.

Nosso planeta geme e chora esperando pela redenção. Nossos povos clamam porque a mão dos opressores pesa sobre eles. Precisamos escutar, como Deus escutou o clamor dos oprimidos, conheceu seu sofrimento e desceu para libertar. Escutar como fez Jesus com os discípulos no caminho de Emaús, andando com eles, lhes dando coragem e energia para testemunhar que outro mundo é possível.

É com esperança, ousadia e fé renovada que convoco a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil e a Comunhão Anglicana a assumirem seu dever profético de “cuidar da Criação”, apoiar as iniciativas da sociedade civil organizada e apelar aos governos para assumirem sua responsabilidade para com a vida do planeta. 

Esse momento deve ser de denúncia do modelo economicista e excludente, e que possamos buscar a construção da Justiça Social e Ambiental, da defesa dos direitos dos povos e da natureza, do fortalecimento da consciência ecológica nas religiões e tradições espirituais, do início da transição da civilização insustentável para uma nova civilização, justa, fraterna, pacífica, ética e sustentável.

Encorajo às Províncias Anglicanas a assumirem suas responsabilidades, orientando suas dioceses, o clero e as comunidades a participarem ativamente do processo da Rio+20, incluindo as iniciativas da Cúpula dos Povos e do espaço Religiões por Direitos. 

Na certeza de que este será o caminho para vivermos a plenitude da vida (cf. Jo10:10),  

Brasília, 03 de maio de 2012

Dom Mauricio Andrade

Bispo Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB)

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