Deprecated: Assigning the return value of new by reference is deprecated in /home/ieab/www/dab/wp-includes/cache.php on line 36

Deprecated: Assigning the return value of new by reference is deprecated in /home/ieab/www/dab/wp-includes/query.php on line 21

Deprecated: Assigning the return value of new by reference is deprecated in /home/ieab/www/dab/wp-includes/theme.php on line 540
Mensagem do Bispo Primaz do Brasil | Diocese Anglicana de Brasília

primaz.jpgPara onde caminharemos?
Quem nos ouvirá?
Como testemunharemos?

Indago, nestes dias, para onde estamos caminhando. Na última reunião dos primazes, na Tanzânia, 12 primazes além de mim participavam no encontro pela primeira vez. Tratou-se de uma experiência de paciência e esperança: paciência, porque nada acontece no tempo que desejamos e, esperança, porque os novos primazes, incluindo uma mulher, sinalizavam a possibilidade de novos caminhos.

Fomos muito bem recebidos pelo arcebispo Donald Mtetemela da Tanzânia, pelo secretário provincial, cônego Mwita Akiri e pela equipe organizadora local. Reencontrei na ocasião amigos que conhecera há tempo como Ian Ernst, colegas de serviço e secretários provinciais como Nathaniel Uematsu e Berand Ntahoturi. Encontrei outras pessoas que se tornaram amigas e solidárias perante os desafios de caminhar como Igreja desejosa de se manter no caminho da unidade.

Conversei também com o arcebispo Gregory Venables do Cono Sur sobre a situação do Robinson Cavalcanti, do Recife, e lhe reafirmei o que já tenho dito em outras ocasiões, ou seja, que tenho procurado desenvolver meu ministério na Comunhão Anglicana como Primaz da Igreja no Brasil, baseado em três diretrizes: reconciliação, restauração e renovação. E ao reafirmar esses princípios ao Gregory disse-lhe que poderíamos juntos buscar esse tríplice caminho estabelecendo uma conversa com o Robinson Cavalcanti. Gregory concordou comigo e ainda se comprometeu a tomar a iniciativa para um encontro dos três em São Paulo no mês de julho de 2007. Mas nada aconteceu. Tenho lido que o arcebispo Gregory virá ao Brasil para uma visita pastoral ao Robinson Cavalcanti e seus clérigos. Mas não recebi nenhuma mensagem a respeito dessa visita, muito embora a notícia esteja publicada no site da diocese do Robinson. Mas no encontro que tive com o Gregory na Tanzânia, dizia-me ele: “nossa ação foi somente em solidariedade à situação em Recife, e é claro para mim que se trata de mera situação temporária”.

Diante de fatos dessa natureza somos forçados a perguntar: para onde caminharemos? Quem nos ouvirá? Como testemunharemos? São perguntas sérias que precisamos responder aos membros da Igreja.

É tempo de quaresma, de buscar conversão a Deus em todos os nossos atos; é tempo de oração e meditação; é tempo de perdão e de reconciliação.

Acredito que precisamos nos contemplar no espelho e ver o que estamos fazendo com a Comunhão Anglicana; acredito que está na hora de relembrar que somos uma “comunhão” e não simples “federação” de igrejas e que, portanto, não precisamos de nenhum “pacto”. Precisamos, isso sim, aprofundar a comunhão para além da busca de poder, de dominação e de controle.

Quem nos ouvirá? Quem poderá ouvir a mensagem que temos para proclamar, que alguns querem encerrar no conceito de “ortodoxia”, quando ela é, de fato, a mensagem de Deus em Jesus Cristo cujo amor nos reconcilia com a vida e vida em abundância. Nossas palavras têm sido de divisão. Não obstante, cantamos no Brasil: “A palavra não foi feita para dividir ninguém; a palavra é a ponte onde o amor vai e vem. A palavra não foi feita para dominar; o destino da palavra é dialogar”. Quem ouvirá os arcebispos/ primazes, bispos e pastores da Igreja?

Estamos nos preparando no Brasil com muita seriedade para participar na Conferência de Lambeth 2008, porque temos certeza de que esse é o espaço da unidade, e sabemos que unidade não é uniformidade. Todos os bispos do Brasil e suas esposas estão em oração enquanto aguardamos o encontro e o reencontro com irmãos e irmãs que vivem desafios e contextos diferentes dos nossos sabendo que estamos unidos em solidariedade na missão que é de Deus. Estamos, pois, preparando-nos para compartilhar nossas vidas, desafios e experiência de sermos Igreja que vive em expansão missionária. Em 1998 a Província do Brasil tinha 7 dioceses. Agora, em 2008, contamos com 9 dioceses e um distrito missionário. Apesar das dificuldades enfrentadas com dois cismas, um em 2002 e outro em 2004, podemos dizer que “até aqui o Senhor nos tem ajudado”. Por isso, desejamos viver os momentos da Conferência de Lambeth com intensidade, nos grupos de estudos bíblicos, nas orações e no partir do pão (At 2).

Como testemunharemos? Quem nos ouvirá? Não estamos sendo honestos conosco mesmos. Será que queremos propor o caminho da desunião para o futuro da Comunhão Anglicana?

Considero que a Igreja Episcopal dos Estados Unidos tem dado a todos o exemplo da caminhada para a unidade e para a reconciliação, porque todas as perguntas e solicitações de visitas feitas, foram plenamente atendidas. Tem dado respostas a todas as questões propostas. Tem gasto dinheiro, energia e tempo para atender as solicitações dos primazes, sempre com generosidade e abertura. Acredito que precisamos ter em mente que somos anglicanos. O que está acontecendo é desrespeito às nossas riquezas e ao nosso ethos, isto é, à autonomia das Províncias.

A Província Anglicana do Brasil já se pronunciou contra a criação de novo pacto, posto que nossa maneira de ser anglicana já está definida no Quadrilátero de Chicago-Lambeth. Não somos nem queremos ser mera federação de Igrejas. Desejamos continuar em comunhão com Cantuária, símbolo de nossa unidade, e membros plenos da Comunhão Anglicana.

Pretendemos ir a Lambeth abertos ao diálogo, e sentir a presença de Deus a nos guiar como seu povo, partindo o pão que nos une no corpo de Cristo, e expressando solidariedade ao mundo necessitado da palavra da transformação e da salvação. Reafirmamos, assim, nossa resposta ao convite do arcebispo Rowan Williams, e lamentamos profundamente o boicote de cinco arcebispos.

Brasília, 17 de Fevereiro de 2008.
Segundo Domingo da Quaresma

Revmo. Dom Maurício Andrade
Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil