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XXVI Concílio Diocesano | Diocese Anglicana de Brasília

Sáb
29
Mar

XXVI Concílio Diocesano

1:06 am

dscn0018.JPGCarta Pastoral à XXVI Reunião do Concílio da Diocese Anglicana de Brasília da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, reunido na Missão Filadélfia, Veredão, Março de 2008.

“Erguei os olhos, os campos já branquejam para a ceifa.”
São João 4,35

Queridas irmãs e queridos irmãos em Cristo, congregados na XXVI Reunião do Concílio da Diocese Anglicana de Brasília, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, a Paz do Senhor esteja sempre conosco!

Este ano, nosso Concilio é celebrado no contexto da Páscoa. É tempo de reconhecer o caminho percorrido por Jesus, da Galiléia até Jerusalém, passando pela Samaria, entrando e saindo por diversas aldeias e vilas.

É tempo de reafirmar a máxima da vida Cristã: A Morte não é o fim, o túmulo está vazio. Aleluia! Cristo Ressuscitou! Verdadeiramente o Senhor Ressuscitou, Aleluia!

Estamos na Semana da Páscoa, na sexta-feira santa, e nosso coração assim reza, na coleta do dia: “concede que de tal maneira apartamos de nós o fermento da maldade e da malicia, que sirvamos com sinceridade e pureza de vida”  .

Com certeza nossas comunidades, em diferentes contextos e momentos, reviveram o exemplo da humildade e doação de Nosso Senhor Jesus Cristo no exemplo do Lava-pés (cf. São João 13,1-15), o verdadeiro caminho da doação, que deve ser imitado por todos.

Também caminhamos com o sofrimento de Jesus Cristo no duro caminho da Cruz. Escutamos o seu clamor, sinal de sua humanidade: “Pai, em Tuas mãos entrego o meu espírito” (Cf. São Lucas 23,46).

A vigília da Páscoa nos traz a luz: - “Essa é a luz de Cristo, Demos Graças a Deus”. E na festa da Páscoa, na madrugada da Ressurreição, o grito de medo e também de alegria: - “não temais, porque sei que buscais a Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui, ressuscitou!” (cf São Mateus 28,5 e 6).

A Ressurreição de Cristo é a consciência de seus discípulos de que Ele vive e por isto não estamos abandonados pelo Pai. A Ressurreição de Cristo significa o entendimento das Escrituras. Os discípulos compreenderam nas Escrituras o delicado fio, isto é, o engajamento da vida como realização da vontade do Pai, da missão messiânica e do Reino de Deus. No dizer de Santo Agostinho, a celebração de Páscoa “é a mãe de todas as celebrações cristãs”.

De fato, por mais “tradicionais” que sejam esses momentos para nossas  comunidades, precisamos ir mais além dos ritos litúrgicos. Esse momento de Páscoa deve ser para nós e para nossas comunidades um verdadeiro tempo de proclamação da boa nova de um mundo novo possível, que toma força na renovação da esperança , que se fortalece no sopro de vida: “eis que farei entrar o Espírito em vós e vivereis” (cf. Ezequiel 37,5).

A eloqüência do túmulo vazio, imagem do Cristo Ressuscitado chama-nos a renovar nosso COMPROMISSO E FIDELIDADE. Convoca-nos a aderir, defender, assumir e nos comprometer com o seguimento de Jesus Cristo: “erguei os olhos, os campos já branquejam para a ceifa” (cf. São João 4,35). Este é o clamor que une e inspira a Diocese de Brasília, e marca os rumos de nosso discipulado neste ano de 2008.

O tema nos convida a erguer nossos olhos, a contemplar os campos, a sentir que precisamos como Igreja Diocesana semear na esperança da vida nova de fé, compromisso e fidelidade: “naquele dia o Senhor debulhará as espigas“ (Cf. Isaias 27.12).

O caminho de semear nos envolve no serviço do próximo, feito com carinho e determinação, presença solidária e compromisso. No ano passado, o repto de nossa Igreja veio de São Marcos: “Levanta-te e vem para o meio!”. E esse ano, somos chamados a participar da semeadura dos campos do Senhor. Onde semeamos? Com que paixão temos lançado as sementes? Com que dedicação? Com que compromisso? Temos semeado juntos a boa semente? Cuidamos dela e a protegemos, para que cresça e frutifique? Ressoa em nossos ouvidos a sentença do Apóstolo Paulo: “aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura, com abundância também colherá” (Cf. II Corintios 9,6).

Somos nós que semeamos, mas o fruto será dado pelo Senhor: “Eu plantei, Apolo regou, mas o crescimento veio de Deus” (Cf. I Corintios 3,6). Não podemos deixar de ser fiéis ao semear. A responsabilidade nos é dada pela Palavra que vem como imagem da fecundidade de Deus através do nosso empenho (Cf. Isaias 55,10). Vamos então caminhar, erguer os olhos e contemplar os campos diante de nós, tendo na boca o Salmo 118: “O Senhor é a minha força e o meu canto, porque Ele é a minha salvação!” (Cf. Salmo 118,14).

Tenho reafirmado que a Páscoa é uma oportunidade de renovar nossos compromissos de fé. A celebração Pascal necessita ser como um fogo que se renova em nossa vida. “Fé é entregar-se, lançar-se adiante, é forçar os umbrais da liberdade, é como jogar-se no mar para aprender a nadar, é como uma criança que força os pulmões e respira pela primeira vez.”

O Compromisso e a Fidelidade são construídos na vocação da liberdade de servir. O anúncio do Reino de Deus pela Igreja não subsiste fora da vida, da práxis e do ministério. O Reino é a proclamação de vida plena para todos os seres: não só para algumas pessoas privilegiadas, porque esta é a vontade de Deus. Este é o projeto dEle para a humanidade que todas as pessoas tenham vida em abundância (Cf. João 10,10).

Por este desiderato, seu filho foi fiel até a morte, e para que não sobrasse dúvida de que Jesus testemunhou com fidelidade este projeto de vida para todos, O Pai o ressuscitou no terceiro dia, resgatando-o da morte.  É nesta base de fé que a Igreja precisa ser edificada, apesar de nossas limitações, pois esta é a Igreja do Senhor. Quanto mais perseveramos no seguimento de Jesus, tanto mais estaremos nos colocando nas mãos do oleiro para sermos moldados e transformados para novas colheitas (Cf. Isaias 64,8), superando nossas limitações e fraquezas, potencializando nossas qualidades. Quanto mais vivemos nossa humanidade, tanto mais conseguimos nos abrir para a União com Deus e o diálogo com o próximo.

O Reinado de Deus significa uma nova ordem de vida, a nova humanidade e a nova criação que se tem feito possível mediante a morte e Ressurreição de Jesus Cristo (Cf. II Corintios 5,17). Por isso que a Páscoa necessita queimar em nosso coração, arder em nossa paixão, renovando nossa fé e compromisso.

Aonde e de que maneira temos expressado nosso compromisso e fidelidade com Jesus Cristo?
“Que estou fazendo se sou cristão,
Se Cristo deu-me o seu perdão”.

No exercício deste ano, vivi algumas experiências marcantes em minha fé. Algumas novas marcas em minha vocação e ministério, que me impuseram novos caminhares de compromisso e fidelidade ao Cristo que é sempre fiel.

Uma dessas experiências foi a visita ao Bispo de Barras, na Bahia, Dom Frei Luis Flavio Cappio, durante o jejum e oração que ele praticou em protesto contra o projeto de Transposição do Rio São Francisco. Estive pessoalmente com ele em Sobradinho, na beira do grande rio, acompanhado por mais três lideres de Igrejas cristãs. Ao chegar à Paróquia de São Francisco, ao longe já avistei o povo em santa vigília com seu bispo. Dentro da humilde capela, encontrei um grande homem. Em sua fragilidade física pelos 21 dias de jejum, testemunhou-me uma imensa fé no Cristo e um forte amor ao povo simples que vive nas margens do Rio. Diante de mim, estava o modelo de profeta verdadeiro, de pastor humilde e corajoso que não foge do lobo, e pude sentir naquele momento o apelo de profecia e de seguimento que através dele o Senhor faz à nossa Igreja de Brasília: levar até as ultimas conseqüências nosso compromisso e fidelidade, a Deus e aos humildes. Foi uma experiência de solidariedade, de fé, de sentir no olhar do profeta a proclamação de um santo jejum pela vida. (Cf. Joel 2,15).

Permanecer, por algumas horas, ao lado de Dom Frei Cappio recordou-me o sentimento do poeta popular “é preciso amor para poder pulsar, é preciso chuva para poder florir”   e trouxe-me à lembrança as palavras de um profeta de nosso tempo, que viveu no fio da profecia e da política: “não importa que ao final eu nem pareça um pássaro com plumas, mas importa que eu cumpra a missão e cumpra até o fim”.

Nosso Concilio mais uma vez se realiza no contexto do Mês da Juventude Anglicana do Brasil, e como Igreja jovem e missionária queremos sempre acolher e nos sentirmos acolhidos pelos jovens em nossas comunidades e na sociedade. Vamos manter nosso apoio e solidariedade aos jovens em sua via e serviço.

Para esse ano a Igreja Provincial se inspira pelo lema: “Acolher é um Ministério”, que em nosso semear estejamos firmando essa marca que é parte do “ethos”, da maneira de ser do anglicanismo.

É Tempo de Páscoa, e vamos viver esse kairos (momento) de Deus em nossa Diocese, quando nos encaminhamos para celebrar 50 anos da presença Anglicana no Planalto Central, e 25 anos de criação da Diocese Anglicana de Brasília em 2010.

Vamos juntos erguer os olhos, pois os campos já branquejam para a ceifa, e  que esse semear  aumente e multiplique os frutos da justiça (Cf. II Corintios 9, 10.

Ressuscita-nos da morte da esperança
Ressuscita-nos da morte da compaixão
Ressuscita-nos da morte da Alegria
Ressuscita-nos da morte da fé
Ressuscita-nos da morte do amor
Acompanhe-nos, todos os dias,
A Benção da Esperança
A Benção da Compaixão
A Benção da Alegria
A Benção da Fé,
A Benção do Amor.

Do Vosso Bispo e Amigo,

Dom Maurício Andrade.
Bispo Diocesano