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4ª Conferência da Paz no Brasil | Diocese Anglicana de Brasília

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Cerca de 400 pessoas, maioria representantes dos movimentos sociais do campo, participaram no dia 25 de agosto da 4ª Conferência da Paz, para discutir o limite da propriedade da terra e sua função social. Além disso, a Conferência enfatizou a demarcação da terra indígena Raposa Terra do Sol, que será julgada hoje (27) pelo Superior Tribunal de Justiça. O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Dimas reforçou o apoio à questão.Presente também no evento, o bispo, Católico Romano, do Xingu e presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Dom Erwin Krautler, fez uma análise histórica dos povos indígenas da Amazônia e falou sobre atual situação da Raposa Serra do Sul. “Todos sabemos o quanto custou, de mobilização, de trabalho, de luta, mesmo de vidas de lideranças indígenas, ao longo dos últimos 34 anos, para se conseguir a demarcação do território, em 2002, pelo governo Fernando Henrique, e a sua homologação em 2005, pelo governo Lula”, conta Krautler.

Segundo ele, a Raposa Serra do Sol é um caso paradigmático e dependendo de como os ministros do Supremo Tribunal Federal votarem, diferentes perspectivas estarão traçadas para os povos do campo no Brasil. “Se votarem favoráveis aos povos indígenas, seus direitos, seus territórios, seu futuro como povos estarão mais uma vez assegurados. Do contrário, os povos indígenas, escancaram-se as portas para o avanço dos grandes interesses econômicos sobre os demais territórios indígenas, como sobre os territórios de todas as comunidades tradicionais, incluindo também as áreas de preservação ambiental”, afirma.

O Cerrado Brasileiro também ganhou espaço durante a Conferência. O bispo emérito, da Igreja Católica Romana, de Goiás (GO), dom Tomás Balduíno, o bioma e criticou a degradação e o avanço do agronegócio na região. “É lamentável que um bioma que surgiu mais ou menos há 15 mil anos esteja sendo destruído tão depressa como vemos”. Ele também questionou o uso da terra no Brasil. “O latifundiário fez com que a terra ficasse sob seu domínio. Quem usufrui da terra no Brasil é uma minoria rica”. Balduíno concluiu afirmando que “o limite da propriedade não é só legal, mas também uma questão de consciência social”.

Pedro Wilson que também defendeu o Cerrado, destacou a importância da participação popular na vida política do país. “Quem não gosta de política é mandado por quem gosta”, disse. “Não são apenas homens que fazem política. A igreja faz, os organismos fazem, as entidades também”. “O limite da terra se constrói com consciência nacional, luta nacional, para a cidadania, democracia e o direito do campo”, afirma.

A mesa de abertura contou com a presença do secretário executivo da Secretaria-Geral da Presidência da República do Brasil, Antonio Lambertucci do professor Pierre Wiel, da Universidade da Paz, do deputado Pedro Wilson (PT/GO) e de representantes das Igrejas-membro do CONIC: o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Dimas; o bispo primaz da Igreja Anglicana do Brasil, Dom Maurício de Andrade, o reverendo da Igreja Presbiteriana do Brasil, Cláudio da Chaga Soares. Participaram também os pastores Sandro Xavier da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil – IPU, a pastora Romi Márcia Bencke da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, o Rev.Andrés Ayala, da Igreja Menonita, a Sra. Zulmira Inês da Costa da Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia, testemunhando o compromisso histórico do CONIC com a Reforma Agrária.

Participaram representantes de quilombolas, povos indígenas, Via Campesina, Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Brasil (Fetraf), entre outros.

Organização - O evento foi organizado pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) em parceria com diversas entidades e debaterá sobre os projetos de lei relacionados aos temas propostos. A Conferência tem como objetivo a construção de uma cultura de paz e não-violência no país, por meio do diálogo entre Igrejas, entidades da sociedade civil e os órgãos do Estado.

O tema escolhido é uma contribuição para a Campanha pelo Limite da propriedade da terra: em defesa da Reforma Agrária e da Soberania Territorial e Alimentar, realizada pelo Fórum da Reforma Agrária e Justiça no Campo. A Campanha propõe a inclusão de um novo inciso na Constituição Federal que limite às propriedades rurais em 35 módulos fiscais, medida adotada pelo Estado para dividir a propriedade rural e que varia de região para região.

Para o Pe. Gabriele Cipriani, do CONIC, a reforma agrária tem sido uma das grandes bandeiras de luta das igrejas.

Conclusões - O texto final, em elaboração pelo economista, Guilherme Delgado destacará os princípios da terra como bem social, a terra mercadoria, como organizar e mobilizar a Campanha do FNRA. De acordo com as contribuições dos participantes, o documento também deverá abordar o atual modelo de produção e a apropriação dos recursos naturais por empresas.

Também foi apresentada uma moção para manifestar a preocupação em relação ao julgamento da homologação da Terra Raposa Serra do Sol.

Fonte: Fórum pela Reforma Agrária e Justiça no Campo

Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr