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Mensagem de Natal do Arcebispo de Cantuária | Diocese Anglicana de Brasília

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Seres Humanos, por conta própria, imaginaram Deus em todos os tipos de formas; mas – apesar de haver um ou dois exemplos, na Grécia Antiga e no Egito Antigo, de deuses que assumiam a forma de meninos – foi o Cristianismo que introduziu ao mundo a idéia de Deus na forma de uma criança: adquirindo uma forma de fragilidade e completa dependência, sem poder ou controle. Se você parar para pensar, este fato ainda é chocante. E é, ao mesmo tempo, extremamente desafiador.

Deus escolheu se mostrar a nós completamente humano, nos dizendo que cada estágio da existência humana, desde a concepção até a maturidade e até mesmo a morte, é capaz de nos dizer algo sobre Deus. Apesar de tudo aquilo que a gente aprendeu com Jesus Cristo e tudo que a vida dele tornou possível e único, a vida dele ainda significa que nós olhamos de maneira diferente para todas as outras vidas. Há algo em nós que é capaz de expressar o que Deus tem para dizer – a imagem de Deus em cada um de nós, que só é perfeitamente expressada em Jesus.

Tudo isso reafirma que todos nós, como Cristãos, temos a missão de reverenciar todos os seres humanos, em todas as situações, em todos os estágios da existência. É por isso que não podemos considerar os natimortos menos parte da família humana do que nós mesmos. É por isso que os portadores de necessidades especiais não têm menos créditos do que nós e é por isso que tentamos atribuir sentido à vida humana mesmo quando o fim se mostra próximo e não conseguimos encontrar mais nenhum sinal de liberdade ou compaixão.

E é por essa razão que temos que nos preocupar com o bem-estar das crianças. Olhando ao redor do mundo, acontecem muitas coisas com nossas crianças que despertam nossa ira e protesto. Este ano, no Reino Unido, houve vários debates sobre a infância e pesquisas têm enfatizado a diminuição da segurança emocional de muitas crianças, causadas, em parte, pelo alto índice de divórcios e problemas familiares, os efeitos da pobreza, e muitos outros problemas. Esperamos ansiosos pela divulgação de uma pesquisa nacional sobre como as pessoas acham que é a “criança perfeita” – patrocinada pela Children’s Society, há muito tempo associada à Igreja Anglicana.

Em outros lugares do mundo, nós vemos coisas muito mais horríveis: crianças atuando como soldados em partes da África e no Sri-Lanka; o fardo colocado sobre as crianças em lugares onde o HIV e a AIDS aniquilaram uma geração inteira, deixando apenas os idosos e os jovens; o destino de crianças que vivem em áreas de conflito como o Congo e o Oriente Médio e o tratamento insensível que é dado às crianças refugiadas e às que procuram asilo em países mais prósperos.

‘Apesar de vê-lo como uma criança, Ele sentará no trono de seu Pai’, diz o hino de Natal. Se for verdade que a criança de Belém é a mesma que virá novamente em glória para julgar os vivos e os mortos, como nos apresentaremos diante dele se permitimos o abuso de crianças ao redor do mundo, crianças estas que são a imagem Dele na Terra? Na semana que escrevo esta carta, o público britânico está tentando lidar com o chocante assassinato de uma jovem criança. Recentemente eu acompanhei inúmeros estudantes e lideres religiosos britânicos em uma peregrinação ao campo de concentração em Auschwitz, onde algumas das mais horripilantes imagens estão ligadas à grosseira matança de crianças judias – seus brinquedos e roupas ainda estão à mostra, saqueados pelos assassinos de seus corpos mortos.

O Natal é um bom tempo para repensarmos a nossa atitude para com as crianças e o que acontece com as crianças em nossas sociedades. Cristãos que reconhecem o infinito e Todo-Poderoso Deus na vulnerabilidade de um recém-nascido têm toda razão de fazer perguntas sobre a maneira como as crianças são desprezadas, exploradas, ou até mesmo temidas em nosso mundo. Nós todos suspeitamos que, em tempos de crise econômica global, serão os mais vulneráveis que mais sofrerão. A Santa Criança de Belém pede que nós possamos resistir a esta realidade com toda a nossa força, pelo amor daquele que, apesar de ser rico, por amor a nós empobreceu, tornou-se indefeso para juntar-se aos indefesos de modo que ele possa exaltar-nos através da sua misericórdia e graça abundante.

Com os desejos de um excelente Natal e Ano Novo.
+Rowan Cantuar

Tradução: Thiago Correia de Andrade