Deprecated: Assigning the return value of new by reference is deprecated in /home/ieab/www/dab/wp-includes/cache.php on line 36

Deprecated: Assigning the return value of new by reference is deprecated in /home/ieab/www/dab/wp-includes/query.php on line 21

Deprecated: Assigning the return value of new by reference is deprecated in /home/ieab/www/dab/wp-includes/theme.php on line 540
Carta Pastoral ao XXVII Concílio Diocesano | Diocese Anglicana de Brasília

imgp4228.JPG

 

“ Façam Tudo para edificação mútua”

I Corintios 14,26.

1 . Queridas irmãs e queridos irmãos em Cristo reunidos na XXVII Reunião do Concílio da Diocese Anglicana de Brasília, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. Nosso Concilio nesse ano se reúne no contexto da Quaresma, e assim ainda estamos no caminho de orar dizendo: Bendito seja o Senhor que perdoa todos os nossos pecados.

2. Quaresma é um tempo que representa a grandeza da misericórdia de Deus. Quaresma é um convite generoso para que nós, suas filhas e filhos, possamos ser os recriadores da misericórdia do próprio Deus.

3. Recriar a misericórdia de Deus equivale a reorganizar os espaços para que a convivência entre nós seja pautada pelo respeito, pelo reconhecimento da dignidade que carregamos como imagem e semelhança de Deus.  E com certeza, recriar a misericórdia de Deus em nós, representa, antes de qualquer coisa, recriar nossa relação de intimidade, de companheirismo com o próprio Deus. Significa adquirir capacidade para olhar o mundo com os olhos de Deus.

4. Esse ano, estamos completando um ciclo de reuniões conciliares planejadas desde 2004, ou seja, nos colocamos no desafio de peregrinar pelos diferentes contextos da vida diocesana, e assim em 2004 e 2005 fomos acolhidos na Catedral em Brasília, Alargando nossa tenda e firmando nossas estacas ( Is. 54,2) e Caminhos de missão, caminhos de esperança e paz ( II Co. 4,7); em   2006 nos unimos em Goiânia – GO, Vivendo a Missão Transformadora ( Rom, 12,2);  em 2007 caminhamos para Pedregal – GO, Levanta-te e vem para o meio ( Mc. 3,3); em 2008 continuamos nos movimentando e estivemos reunidos no Veredão – DF, Compromisso e Fidelidade (Jo 4,35).

5. E agora, aqui estamos em Anápolis, terceiro maior município em população do estado do Goiás. Inicialmente a cidade foi denominada Santana do Goiás (1819), também foi conhecida como Santana das Antas, e finalmente Anápolis (cidade de Ana). E, aqui somos acolhidos na Missão da Reconciliação, sob liderança de sua Ministra Encarregada, Revda Lucia Borges, e nos inspiraremos no lema : Celebrando a Missão e a Vida, “Façam tudo para edificação mútua” I Corintios 14,26.

6.O texto que nos inspira para esse Concílio e para o caminhar da Igreja Diocesana nesse ano de 2009,  vem do Apóstolo Paulo, em sua carta aos Corintios, Façam tudo para edificação mútua.

7. Paulo é o fundador de várias comunidades, as quais chama de igrejas de Deus. Somos santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos (cf. I Cor. 1,1). Paulo toma o termo do mundo civil grego, ekklesia (assembléia, reunião de associações civis) para se referir a Igreja. Também chama de santificados, ou santos, os que são chamados a manifestar a vocação de serviço da igreja, ou seja, a igreja é chamada a ser santa para construir uma nova sociedade, novas mulheres e novos homens. E ainda a igreja no dizer de Paulo é serviço, é expressão de dons (karisma).

8.  É claro para nós que a Igreja na visão de Paulo ainda vai muito além dessas características. E no contexto de I Corintios 12,13 e 14 apresenta-se um desenvolvimento de sua doutrina a partir da prática da Igreja de Corintios e de seus problemas e divisões. Porém, é nesse contexto que Paulo nos ajuda a compreender o que é a Igreja de Jesus Cristo.

9.  No Contexto dos capítulos 12 a 14, Paulo apresenta uma compreensão da Igreja a partir do corpo. E a define como “Corpo de Cristo”, sendo Cristo é a cabeça e nós os membros. Com isso entendemos que a Igreja é muito mais que visibilidade histórica.  Não se limita à assembléia reunida ou somente aos que podemos ver reunidos. Há algo a mais que nos reúne como “Corpo de Cristo” , há algo invisível aos nossos olhos, que se expressa e nos fortalece, que é o Espírito Santo, “Pois em um só Espírito, todos  nós fomos batizados, em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado de beber de um só Espírito.” ( ICo. 12,13)

10. Porém, o invisível adquire visibilidade através dos gestos e ações da Igreja, vivendo e manifestando seus carismas, ministérios e ações. E esse testemunho de ação se realiza no contexto de cada uma das comunidades aqui unidas em Concilio com o seu Bispo.

11.  A Igreja é desafiada no contexto paulino a contemplar toda a diversidade  ( Cf. ICo 12,4 e 5), e a assumir um compromisso (Pacto Batismal): “Pelo Batismo, nascemos espiritualmente, passamos a pertencer à Comunidade dos Fiéis e somos feitos para sempre filhos de Deus e discípulos de Cristo”.

12. Por isso, somos muitos membros, e temos uma grande diversidade de dons na vida diocesana. Ao celebrar a missão e a vida, somos chamados a fazer tudo para edificação mútua. Essa ação de edificar e o sentimento de mutualidade nos impulsionam a um caminhar de uma Igreja que deseja ser solidária e unida (Cf. Ef. 4,3) .

13. Creio que o tempo (kairos = momento de Deus) é de Celebrar a Missão e a Vida. Um dia um sonho, hoje uma realidade. Nesse caminho sentimos a eternidade se aproximar e nos fazer sentir que somos parte desta Missão através de nossa Vida. No dizer de Rubem Alves “eternidade é o tempo quando o longe fica perto”.

14. E, nessa peregrinação, desafiamos a nós mesmos. Mirávamos para 2010, quando a Paróquia da Ressurreição, a Catedral Diocesana, celebrará 50 anos de presença anglicana no Distrito Federal, no marco da memória do primeiro culto realizado, em 05 de junho de 1960. Culto este, que serviu como acólito o nosso saudoso irmão Roberto Dantas, e como celebrante, o pioneiro, Revd. Saulo Marques da Silva.

15. E nesta mesma trilha, também mirando 2010, vamos celebrar a missão e a vida ao completarmos 25 anos de Diocese Anglicana de Brasília. Com certeza podemos dizer que “até aqui o Senhor nos ajudou”. Vamos renovar a esperança e continuar vivendo e expressando concretamente gestos e ações de uma Igreja encarnada no meio do povo, anunciando que “o Senhor é a nossa justiça”.

16. Recordo os primeiros passos para o que é hoje a Diocese Anglicana de Brasília, quando Dom Edmund Knox Sherrill, em sua primeira viagem como Bispo da Diocese Central (atualmente Diocese Anglicana do Rio de Janeiro), 1957, visitou o que era o canteiro de obras em Brasília. Recordo o I Concilio realizado em 09 e 10 de novembro de 1985, onde na lista  oficial do clero constavam: Revd Ernesto João Bernhoeft, Revd Enil Alves e Revd. Guilherme da Luz.

17. Recordo os dois primeiros bispos, Dom Agostinho Sória (1985-1988) e Dom Almir dos Santos ( 1989-2002) .

18. Recordo as pessoas leigas que se dedicaram a servir para edificação de todos, e por isso somos suas testemunhas. Expresso nossa gratidão celebrando a missão e a vida que todos e todas ofereceram e continuam a oferecer no caminhar da Diocese de Brasília, porque hoje somos nós o povo de Deus aqui reunido e na vida de nossas comunidades que precisamos responder e nos comprometer em ser a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil no contexto do Cerrado.

19. E ainda, na expressão da bondade e carinho de Deus, nesse Concilio, contamos com a presença do Bispo Diocesano do Rio de Janeiro, Dom Filadelfo de Oliveira Neto.

20.No contexto mais amplo da Comunhão Anglicana, ainda respiramos os sopros do Espírito na Conferência de Lambeth 2008, quando bispos e esposas assumiram publicamente um compromisso com as Metas do Milênio. O Arcebispo de Cantuária em Carta Pastoral enviada aos Bispos da Comunhão Anglicana, depois da Conferência, nos recordava “que reafirmamos a consciência de que a Igreja precisa fazer parte de forma plena, na luta mundial contra a pobreza, ignorância e doenças. Repetidas vezes destacaram-se as Metas de Desenvolvimento do Milênio.”.

21. E é nesse caminhar que, como Diocese, temos nos envolvido com projetos e programas que reafirmam  as Marcas da Missão:

·         Proclamar as boas novas do amor reconciliador de Deus em Jesus Cristo;

·         Batizar e nutrir a quem passa a crer em Cristo;

·         Responder ás necessidades humanas com serviço e zelo;

·         Trabalhar pela transformação da sociedade de acordo com os valores do reino;

·         Salvaguardar a integridade da criação e a renovação da vida na terra.

 

 E as Metas de Desenvolvimento do Milênio (MDG’S)

 

·         Erradicar a pobreza e a fome

·         Universalizar o acesso à educação primária

·         Promover a igualdade entre os gêneros e fortalecer as mulheres

·         Reduzir a mortalidade infantil

·         Melhorar a saúde materna

·         Combater a AIDS, malária e outras doenças

·         Garantir a sustentabilidade ambiental

·         Desenvolver uma parceria global para o desenvolvimento.

 

22. Muitas vezes nos perguntamos: o que estamos fazendo? Onde estamos? Para onde vamos caminhar? Com certeza muito ainda temos que caminhar, mas podemos olhar e celebrar a missão e a vida que temos experimentado nas ações de cada comunidade.

 

23. Como disse Renato Russo: “Não me entrego sem lutar, tenho ainda coração, não aprendi a me render(..) tudo passa, tudo passará…. E a nossa história não estará pelo avesso assim, sem final feliz. Temos coisas bonitas pra contar. E até lá, vamos viver, temos muito ainda por fazer, não olhe pra trás apenas começamos…”

 

24. E nesse (re)começar, e nesse (re)fazer, continuamos sonhando  com essas coisas bonitas que Deus tem oferecido e confiado em nossas mãos : Projeto SAME, Conselho Penitencial de Goiânia,  Parcerias com Fórum em Goiânia, Pastoral Homossexual, Advocacia Solidária, Sopa Fraterna, Grito dos Excluídos, CASA A+, Cestas de Natal, Inclusão Digital, Saúde para Todos.

 

25. Por isso tudo Celebramos a Missão e a Vida, sempre na certeza de que faremos tudo para edificação de todas as pessoas.

 

26. Nesse contexto de celebrar a missão e a vida, celebramos e damos graças pela resposta das comunidades em viver o desafio geral diocesano fortalecer as comunidades atuais tornando-as vivas e missionárias”, nesse esforço temos dado graças a Deus pelos avanços.

 

27. E assim, queremos chegar em 2010 com a revisão de nosso PLAD, pensando agora em 2010 – 2020. E para isso é sempre importante manter a visão da vitalidade missionária de nossas comunidades olhando em três direções: o passado, o presente e o futuro. Porque somente poderemos marcar esse avanço se estivermos alicerçados nesse tripé.

 

28. Precisamos entender e compreender nossa missão desde o passado da vida da diocese, nossa identidade histórica e celebrar a missão e a vida dos nossos primeiros lideres. É importante sentir e se envolver com a missão do presente, nossas ações e valores de serviço. Com certeza cada qual em seu contexto e realidade, porém unidos no mesmo desafio de ser Igreja Diocesana. Conseqüentemente chegaremos ao sonho do futuro da missão, e ai precisamos sonhar juntos, Bispos, clérigos e o povo diocesano. O caminho poderá ser diferente bem como os processos, mas o sonho precisa ser o mesmo. “esforçando-se diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” Efésios 4,3.

 

29. No respirar da Ressurreição que se aproxima diante de nós, oro com as palavras do Salmista “Ensina-nos a levar de tal modo nossos dias, que alcancemos coração sábio” Salmo 90, 12.

 

30 Convoco a Igreja Diocesana a:

 

·         Intercedermos pela IEAB, especialmente pela Confelider e o Sínodo Geral, julho de 2009;

·         Que possamos caminhar na finalização, implantação e inauguração da ASAS do Cerrado;

·         Que possamos nos envolver cada mês nos desafios ecumênicos que estão diante de nós, como a realização da Jornada Ecumênica do Cerrado, Outubro de 2009, e a Campanha Ecumênica da Fraternidade 2010;

·         Que, no exercício de 2009, possamos lançar as bases para o engajamento na missão de Deus no Cerrado 2010 – 2020;

·         Que todas as comunidades participem do processo de formação através da Escola Anglicana de Missão, na DAB.

 

31. Finalmente dou graças a Deus por essa linda oportunidade de Concilio que é encontro, é sacramento, é festa e celebração da Missão e da Vida da Diocese Anglicana de Brasília, na certeza de que muito mais bênçãos ainda iremos receber da parte de Deus “Ele que dá a semente ao semeador e pão para alimento, multiplicará a semente e fará crescer o fruto da justiça entre nós” II Coríntios 9,10.

 

                        Que o Amor de Deus nos Uma.

                        Que a Alegria de Deus nos Inspire

                        Que a Paz de deus nos Envolva

                        Que a Coragem de Deus nos sustente.

                        Hoje e para sempre. Amém

 

Do Vosso Bispo amigo e Servo em Cristo

 

 

Dom Mauricio Andrade