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Carta Pastoral à XXVIII Reunião do Concílio Diocesano | Diocese Anglicana de Brasília

brasao-do-bispo.JPG“Alarga o espaço de tua tenda, estende sem medo tuas lonas,
alonga as tuas cordas, finca bem as tuas estacas.”
(Isaías 54:2)

1. Queridos irmãos e queridas irmãs em Cristo reunidos na XXVIII Reunião do Concílio da Diocese Anglicana de Brasília, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, a Paz do Senhor esteja sempre conosco!

2. Rogo que o “Senhor Deus me dê a capacidade de falar como discípulo… O senhor faça os ouvidos de cada um ficar atentos, para que possam ouvir como discípulos” (Isaias 50: 4,5).

3.  Esse ano estou completando o sétimo ano de Sagração como vosso bispo diocesano, recordo do primeiro Concilio que presidi em 2004 aqui nesta Catedral.

4. Naquela oportunidade eu dizia que vim para Brasília atendendo ao chamado de Deus para ser bispo da Igreja de Jesus Cristo e para servir, e aqui estamos para ser um bispo diácono no meio de todas as pessoas.

5. Esse ano nosso Concilio está dentro do contexto do Tempo da Quaresma. A Coleta do Dia do II Domingo da Quaresma que nos inspira “ser sempre misericordioso, sê benigno para com todos que se afastaram do teu caminho conduzi-os de novo a Ti, com corações penitentes e viva fé, para que se firmem na verdade imutável da tua Palavra”.

6. Essa Coleta nos indica três importantes caminhos a serem vivenciados na experiência da fé durante a Quaresma: primeiramente, Deus é sempre misericordioso; segundo, essa misericórdia aponta para o caminho de (re) encontro com Deus; e em terceiro, que para vivermos a experiência da graça reconciliadora urge que nos apoiemos na vivência de Sua Palavra”.

7. A Quaresma é o Tempo (Kairos) de acompanharmos Jesus em sua caminhada rumo a Jerusalém. Essa caminhada gera conscientemente o compromisso de ir até as últimas conseqüências. Mais ainda, ir para Jerusalém é levar esse compromisso à consumação (cf. Lucas 13,31-35).

8. Quaresma é acompanhar Jesus nesse seu compromisso radical com o reino de Deus.  É refletir sobre os passos de Jesus, que o levam à cruz. É relembrar que “quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva”. É de fato abolir na essência o desejo por grandeza. Porque, mesmo o menor ou sutil desejo por grandeza, perverte o verdadeiro sentido de serviço. Que nesse Tempo de Quaresma possamos nos sentir orientados definitivamente pelo paradoxo formulado pelo Cristo: querer ser grande é servir, querer ser o primeiro é ser servo.  Cf. Mateus 20,17-(28).

9. Nosso Concilio está inserido na moldura de três testemunhas. Hoje dia 19 de março, dia de São José de Nazaré, o carpinteiro e esposo da bem aventurada Virgem Maria.  O pouco que sabemos sobre José vem dos primeiros capítulos dos Evangelhos de Mateus e Lucas. Ambos os evangelistas o apresentam como um homem justo e observador da Lei de Moises.

10. Amanhã, sábado, 20 de março, recordamos a vida do Bispo Cuthbert , bispo missionário de Lindisfarne. E no domingo, 21 de março, completamos a moldura lembrando o Pai do Livro de Oração, Arcebispo Thomas Cranmer e Mártir, (1489-1556). Cranmer era um estudioso da Universidade de Cambridge que se tornou Arcebispo de Cantuária e o líder da Igreja da Inglaterra nas primeiras duas décadas da independência do Papado.
 
11. Nesse XXVIII Concílio Diocesano trago novamente o tema: “Alarga o espaço de tua tenda, estende sem medo tuas lonas, alonga as tuas cordas, finca bem as tuas estacas.” (Isaías 54:2). Espero que possamos nos manter inspirados pelo lema: Alargando nossa tenda e firmando nossas estacas.

12. É importante dizer que quando alargamos a tenda, quando firmamos as estacas e, sobretudo, quando sentimos a lona expandir mais, alcançamos outras pessoas. Quanto mais aberta fica, aos poucos os nossos pés começam a ficar descobertos e a poeira do caminho começa a entrar e a sujar-los, mas essa é a interface de seguirmos como uma “Igreja que vai em esperança solidária”  . E com certeza podemos dizer, a nossa tenda se alargou e está cada vez mais firme.

13. Nesse ano, nosso Concilio se envolve dentro contexto da Campanha da Fraternidade Ecumênica, e esta é a terceira edição ecumênica (2000, 2005 e 2010), organizada e dirigida pelo CONIC  . A Campanha aponta para o tema: Economia e Vida, inspirada na palavra do Evangelho de São Mateus 6,24 “vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”. E desafio a todas as comunidades a participarem deste momento de partilha do mesmo pão junto com outras Igrejas e se envolver na Coleta para Solidariedade.

14. A história da Diocese se junta à história da Paróquia da Ressurreição, nossa Catedral Diocesana, pois quando do inicio da experiência diocesana, em 1985, havia uma única paróquia e uma missão, Ressurreição e Espírito Santo.

15. Assim, não é demais recordar que o primeiro Concilio Diocesano, assim como se repete hoje, 25 anos depois, foi realizado aqui na Catedral Diocesana e presidido por Dom Agostinho Sória. Nessa ocasião o Revd Ernesto Bernhoeft recebeu o título de Deão Honorário da Catedral da Ressurreição.

16. O projeto de criação da Diocese de Brasília vinha sendo gestado desde 1967. A idéia foi aprovada pelo Sínodo, como resultado de um projeto elaborado pela Comissão Interdiocesana de Estratégia Missionária, comissão presidida pelo então Deão da Catedral da SS. Trindade de Porto Alegre, Agostinho Sória.

17. O mesmo projeto foi discutido e apoiado pela primeira Consulta Companheiros em Missão, realizada no Rio de Janeiro em 1976.

18. Embora tenha passado alguns anos na gaveta, o projeto de criação da Diocese de Brasília não havia morrido. Em 1981, já como Bispo do Rio de Janeiro, Dom Agostinho Sória reuniu uma comissão composta pelo próprio Bispo Dom Agostinho, Revd Sydney Alcoba Ruiz, Cid Azevedo da Costa Junior, Peter Field e Carlos José Machado, para elaborar o projeto da nova Diocese. Esse projeto foi aprovado pelo Concilio da Diocese do Rio de Janeiro, e posteriormente pelo Sínodo de 1982.

19.   Em 1989, Dom Almir dos Santos, o segundo bispo diocesano, assume a DAB. Tempos difíceis, tempo de assumir o desafio de sedimentação do projeto de implantação da Diocese em Brasília. Ao assumir, Dom Almir destacou três prioridades para o seu episcopado: identidade da Igreja com o Povo, criação de novas comunidades urbanas e rurais e justiça social.

20.  Como dizia Dom Helder Câmara “importante não é fazer o impossível para parar o tempo, mas aproveitar o tempo para transformá-lo em eternidade”.

21. Dom Almir serviu por 13 anos, e foi o tempo da sedimentação do projeto diocesano através de um desenho estratégico. É nesse tempo que a Diocese firma suas estacas definitivamente em Goiânia, começa a firmar outras estacas em Anápolis e Tocantins.

22. Como vosso terceiro bispo diocesano, desejo continuar sendo entre vocês uma presença animadora presente nas comunidades, no meio do clero e do povo, e ser um companheiro na missão, parceiro no serviço e desafio missionário que o Brasil Central nos impõe.

23. Queremos aproveitar o tempo de Deus para servir e transformar as estruturas injustas da sociedade, e essa tem sido a base do fortalecimento das nossas comunidades, objetivo estratégico diocesano desde 2004 “Fortalecer as comunidades atuais, tornando-as vivas e missionárias”.

24. E com certeza nossas ações diocesanas nas diferentes comunidades vêm sendo assumidas por pequenos e grandes gestos concretos de solidariedade. E a solidariedade é uma marca real de que “se depende sempre de tanta, muita diferente gente, toda pessoa sempre é as marcas das lições diárias de outras tantas pessoas” .

25. No caminho de viver essa solidariedade, expressamos nossa contribuição diocesana para a coleta provincial de apoio as vitimas do terremoto do Haiti.

26. Em nossas ações de solidariedade estamos nos esforçando para dar resposta as Metas de Desenvolvimento do Milênio (MDG’s):
     Erradicar a pobreza e a fome;
•         Universalizar o acesso à educação primária;
•         Promover a igualdade entre os gêneros e fortalecer as mulheres;
•         Reduzir a mortalidade infantil;
•         Melhorar a saúde materna;
•         Combater a AIDS, malária e outras doenças;
•         Garantir a sustentabilidade ambiental;
•         Desenvolver uma parceria global para o desenvolvimento.

27. Hoje chegamos ao tempo esperado: celebrar os 25 anos da Diocese, dar graças a Deus pela ação de cada clérigo e do povo desta diocese E não poderemos nos acomodar, mas, sobretudo, pensar para aonde vamos caminhar? Qual a Diocese que esperamos ter em 2020?

28. A Missão é criativa, reconciliadora e transformadora ação de Deus, que flui da comunidade de amor, fundada na Trindade, revelada a toda humanidade na pessoa de Jesus e confiada ao contínuo testemunho do povo de Deus no poder do Espírito Santo. (João 20,21-23) .

29.  Assim, não é demais reafirmar que a Igreja existe no poder do Espírito Santo para:
• proclamar as boas novas do amor reconciliador de Deus em Jesus Cristo;
• batizar e nutrir a quem passa a crer em Cristo;
• responder ás necessidades humanas com serviço e zelo;
• trabalhar pela transformação da sociedade de acordo com os valores do reino;
• salvaguardar a integridade da criação e a renovação da vida na terra.
30. Assim como Igreja de Cristo e a partir desses caminhos (Marcas da Missão), somos desafiados a viver os valores do reinado de Jesus com integridade, com lealdade, com zelo, e, sobretudo em serviço ao próximo.

31. Nos últimos meses temos sido tristemente abatidos pelos descaminhos da política sem ética em nossa Capital. Lamentamos o quadro envolvendo o Poder Legislativo e Executivo no Governo do Distrito Federal, amplamente divulgado pela mídia, mostrando-nos os atos de corrupção na administração pública.

32. Esse é ano de eleição. É preciso que busquemos usar o direito do voto como um verdadeiro sinal de cidadania, por isso, tenho expressado apoio e assinei a Campanha Ficha Limpa, coordenada pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, que somou 1,3 mil assinaturas.

33. O Evangelho lido nesta noite nos recorda o caminho da missão e a trilha é o envio. E aqui todos nós somos enviados a sermos sal e luz, a vivermos os novos desafios de uma nova década, “ …assim como Pai me enviou , eu também vos envio” (João 20,21b).  Quero desafiar a Igreja Diocesana a vivermos a experiência de avaliação, revisão e ampliação do nosso Plano de Ação Diocesana, e, nessa construção do novo, vamos assumir uma década (2010-2020) para expansão e serviço.

34. Vamos adiante, sonhando com esses novos desafios, pois “quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo trazendo seus feixes” (cf. Salmo 126,6). Esse é o caminho da utopia e queremos trilhar nele.

35. Assim minha esperança é que, esse ano, ano do Jubileu de Prata, possamos finalizar, aprovar e criar a ASAS do Cerrado e firmar essa estaca da Diaconia Social da Igreja.

36. No dizer dos poetas Beto Guedes e Ronaldo Bastos “Quem sonhou só vale se já sonhou demais, vertente de muitas gerações gravado em nossos corações… nem a força bruta pode um sonho apagar, quem perdeu o trem da história por querer, saiu do juízo sem saber, foi mais um covarde a se esconder diante de um novo mundo” .

37. Vamos continuar nesse sonho porque o poder vem de Deus, somos apenas vasos de barro (cf II Corintios 4,10).

38.     “Que Amor de Deus nos UNA;
       Que a Alegria de Deus nos INSPIRE;
       Que a Paz de Deus nos ENVOLVA;
Que a Coragem de Deus nos SUSTENTE.
 E que para isso desça sobre nós a Bênção de Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, hoje e para sempre”.
Vosso irmão e Bispo,
+ Maurício Andrade, Brasília
19 de março de 2010.