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Carta Pastoral à XXXI Reunião do Sínodo Geral da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil | Diocese Anglicana de Brasília


Os bispos da IEAB emitiram carta pastoral aos delegados do Sínodo da Igreja reunida em Embu Guaçu- São Paulo/SP – 03 de junho de 2010. O texto na íntegra segue abaixo:

“Não vos conformeis com as estruturas do sistema deste mundo, mas transformai-vos pela renovação profunda dos vossos sentimentos e pensamentos, a fim de discernir qual é a vontade de Deus: o que é bom, o que é agradável a Ele, o que é perfeito.” Romanos 12,2

Ao Clero e a todo Povo da Igreja.

Saudações.

1. Nestes dias estamos vivenciando de modo muito particular o quanto é importante a experiência da história. É intensamente simbólico que a realização da Confelíder e do Sínodo se dê justamente na semana em que celebramos a vida das pessoas, pioneiras na missão da Igreja em nosso país há 120 anos atrás. Neste momento, estamos a celebrar a abertura do XXXI Assembléia Sinodal, e “Sínodo” quer dizer “caminhar em conjunto”, convergir na caminhada.

2. Enquanto pastores da Igreja rogamos a Deus que nos mantenha nesse caminhar em conjunto como Igreja que celebra 200 anos da chegada das Capelanias Britânicas, 120 anos da presença de uma Igreja em missão junto ao povo brasileiro, e 25 anos da ordenação feminina.

3. O Sínodo inicia no contexto da semana da Santíssima Trindade. A Trindade é o núcleo central do mistério cristão. Para nós não importa simplesmente que seja UM Deus. Importa, sobretudo confessar que o princípio último de todos as coisas não é solidão, mas COMUNHÃO. Na ponta extrema do Ser deparamo-nos com a relação entre diferenças eternas, irredutíveis que, no entanto, se harmonizam em plena unidade. Para nós, as relações são o dinamismo fundante da realidade.

4. O Deus Trindade é o princípio e o modelo de toda a realidade. É por isso que somos pessoas, seres cujo nome e identidade se forma a partir e mediante relações. É por isso que se tem de renovar em nós a consciência e a responsabilidade da comunhão – pensemos na Igreja como Corpo do Filho, e de solidariedade – pensemos na compaixão por todos os seres do universo. A festa da Trindade é o mistério que dá inefável profundidade a nossa festa da família e da comunhão eclesial que deve transbordar em solidariedade universal.

5. A dinâmica da vida é comunhão, individualismo, separação, é pecado e morte. O Sínodo é para avivar em nós, experimentar esse sentimento. A Confelíder nos convida a viver a Mística da Missão, nos chama a acostumar-nos com esse Deus para, assim, atuar em seu nome.

6. Neste momento histórico da festa da Igreja, recordamos hoje em grata memória, o testemunho, a vida e a paixào missionária de Lucien Lee Kinsolving, que junto com James Watson Morris veio para o Brasil, e somos gratos a Deus pela vocação missionária do Seminário de Virginia. Recordamos a presença e serviço da diaconisa Marie Packard. Nesta semana damos graças a Deus por quem abriu os caminhos da missão na Igreja do Brasil. Por essas pessoas tivemos a geração em Cristo, como diria o Apóstolo.

7. A Confelíder nos tem apontado rumos. Sentimos que Deus nos pede renovar a fidelidade as nossas raízes: reavivar o fervor missionário. TODO O POVO da Igreja deve ser chamado ao serviço de Deus, na variedade de dons e ministérios. Para isso, é preciso aprofundar sempre mais a espiritualidade, a mística da missão como participação na missão de Deus mesmo: voltar à Bíblia em nosso contexto de vida para assimilar sempre mãos, os critérios do Evangelho ate chegar “a carregar em nosso corpo as marcas de Jesus”(Gl 6,17).

8.Temos de ser sempre mais um povo preparado para participar e fortalecer a vida comunitária e responder, em nome de Cristo, aos desafios da sociedade pela diaconia sociopolítica. Do mundo, da criação e da história, nos vem a interpelação no que “o Espírito diz à Igreja”.

9. O texto de Romanos 12,2 deve ser nossa guia: “Não vos conformeis com as estruturas do sistema deste mundo, mas transformai-vos pela renovação profunda de vossos sentimentos e pensamentos, a fim de discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que é agradável a Ele o que é perfeito”.

11. Quando nos lemos os escritos de São Paulo, muitas vezes podemos enumerar muitas controvérsias que tanto na Igreja como fora dela foram suscitadas em torno de sua figura. Porém, podemos reafirmar as palavras de Oscar Cullmann que o assinalou como o profeta dos últimos tempos. E sua vida ficou absorvida no compromisso da fé.

12. Ao considerar o conjunto da vida do Apóstolo e suas cartas, parece-nos que sua experiência está vinculada à vivência determinante de assumir a fé como compromisso total, como projeção global da vida na qual se empenha até o último esforço. Ele organiza seu mundo a partir de um amor abarcador: que tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

13. O grande Apóstolo, modelo de missionário, se manifesta em suas cartas como um homem apaixonado pelo que faz, que está entregue a sua missão, cujo alcance inclui a conversão de pessoas, passando pela edificação de comunidades até atingir a transformação de sociedade. É que para ele o limite é o mesmo da obra de Deus, a criação inteira, como vemos em Romanos 8, onde a obra da Salvação é a própria consumação do universo, e se revela em sua própria estratégia missionária. É um convicto do compromisso da fé, que o arrasta com força e determinação. De outro lado, é um homem consciente de seu mundo, dos problemas das pessoas, sensível às dificuldades que surgem da vivência da fé no meio de uma cultura idólatra, estranha, imperial, absorvente.

14. É essa qualidade de compromisso da fé que nos é oferecida como chave interpretativa. E como tal precisa ser assumida como ponto de partida de nossa própria experiência de “transformação” e não de “conformação”.

15. Se temos o encargo de anunciar e praticar na terra os valores do Reino dos Céus – dignidade, solidariedade, justiça e paz , o mundo a nosso redor nos desafia como provocação radical. Os mais recentes indicadores a respeito da evolução da pobreza global revelam uma crescente desconexão entre o que o mundo poderia ser e o que realmente é. Em grande medida, a maior fragilidade da governança global conduzida pelas nações ricas , durante as duas últimas décadas, tem apontado para maior polarização social entre riqueza e pobreza.

16. Nunca dantes, desde 1929, uma crise financeira havia causado tantos danos à economia real, às pessoas trabalhadoras, às famílias e à sociedade em geral. A crise de 2008, que custou trilhões de dólares, tem deixado mais de 50 milhões de pessoas desempregadas ao redor do mundo.

17. Aqui na cidade de São Paulo, onde agora mesmo se dá nossa reunião, pesquisas indicam que nos últimos 10 anos o número de pessoas morando nas ruas aumentou em 57%, esse número hoje representa mais de 13 mil pessoas morando nas ruas.

18. Essa profunda e prolongada crise mundial do capitalismo, combinada com o retorno do ciclo conjuntural recessivo (desemprego, renúncia a impostos para estimular a produção…), aqui aberto desde setembro de 2008, conforma, em última instância, o pano de fundo da situação política nacional e a movimentação das classes sociais e dos partidos, definindo o rumo das eleições de 2010.

19. Não podemos esquecer que já não nos é permitido falar de justiça social sem voltar a atenção para a gravidade da problemática que atinge o meio ambiente. O corpo das pessoas está gravemente ferido ( violência e degradação) também porque o “corpo”da Mãe Terra está à beira de entrar em agonia. Já não só a Igreja Cristã, mas a ciência nos chama à conversão: ou mudamos de atitude e de modo de vida, ou perecemos com a vida do planeta.

20. A reação do povo indígena Kayapo à autoritária decisão de construir a Hidroelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, não deve ser para nós exemplo inspirador de crescente compromisso com a defesa do meio ambiente, defesa do equilíbrio vital da criação divina?

21. A Missão é criadora, reconciliadora e transformadora , pois é ação de Deus, que flui da comunidade de amor, fundada na Trindade, revelada a toda a humanidade na pessoa de Jesus e confiada ao contínuo e fiel testemunho do povo de Deus pelo poder do Espírito Santo. (João 20,21-23)

22. É urgente abrirmos nossa visão para o horizonte da missão transformadora e cantar um cântico novo, nossa vida inteira em adoração, nosso “corpo como sacrifício vivo” (Rm 12,1-2)
Cantai ao Senhor um cântico novo;
Cantai ao Senhor toda a terra;
Cantai ao Senhor, louvai o seu nome;
Falem da sua salvação dia a dia (Salmo 96,1-2)

23. Acolher e Servir em amor é o horizonte em direção ao qual devemos caminhar, na peregrinação ao Monte do Senhor. Não são, porém, idéias que nos movem a agir, por mais lúcidas e belas que sejam. É por paixão que nos movemos: “O zelo pela tua casa me consome como fogo”, dizia Jesus (Jo 2,17)

24. A Missão é escuta de uma voz que nos envia em Seu Nome (cf. Ex 3,7-10; Is 6,8). A tarefa é Evangelizar, mediante gestos e palavras, anunciar o julgamento de Deus sobre nós e esta sociedade de opressão, e proclamar a Boa Nova de que outro mundo é possível. O caminho, o método, é o Serviço (Diaconia), mediante o qual se revela e se exerce o explosivo poder da Cruz (cf. I Co 1,17-25). “O amor de Cristo nos arrasta com urgência”( II Co 5:14)

25. O marco de direção está claro a nossa frente: Inclusividade, porque o coração de Deus não tem fronteiras; visão profética, porque Deus enxerga sempre para além do que já esta determinado; transformação, porque a Palavra de Deus é eficaz, plena de vida (Jo 1,1-5), por isso redentora e recriadora.

22. Em meio às incertezas do presente século, temos na fé todas as razões de nossa esperança ( cf. I Pedro 3,15)

Que Amor de Deus nos UNA;
Que a Alegria de nos INSPIRE;
Que a Paz de Deus nos ENVOLVA;
Que a Coragem de Deus nos SUSTENTE.
E que para isso desça sobre nós
Bênção de Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, hoje e para sempre ““.

++ Mauricio, Primaz, Brasília
+ Jubal, Santa Maria
+ Orlando, Porto Alegre
+ Naudal, Curitiba
+ Sebastião, Recife
+ Filadelfo, Rio de Janeiro
+ Saulo, Belém
+Renato, Pelotas
+ Roger, São Paulo

+ Clovis, Emérito

+ Almir. Emérito