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Carta Pastoral à XXIX Reunião do Concílio da Diocese Anglicana de Brasília da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, reunido em Brasília – DF, 26 de agosto de 2011. | Diocese Anglicana de Brasília

“Passemos para outra margem”

Marcos 4,35.

 

“No mar contam muito mais, infinitamente mais, do que

a experiência, a iniciativa, o respeito e a capacidade de aprender”.

Amyr Klink, Parati.

 

1.      Queridos irmãos e Irmãs, em Cristo reunidos nesta reunião conciliar, a graça e a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vocês.

2.      Neste ano, nosso Concilio está dentro do contexto do Tempo de Pentecostes,  e tenho a convicção de que muitas foram as razões que nos fizeram adiar o XXIX Concilio, chegando a esta data. Contudo, tenho sempre a certeza que nossos caminhos são dirigidos muitos mais pela providência que pela coincidência. Assim, dou graças a Deus por este momento Conciliar.


3.      Recordo a Coleta do Domingo de Pentecostes, que nos anima: “Ó Deus, que no dia de Pentecostes, ensinaste os fiéis, derrama em seus corações a luz do teu Santo Espírito; concede, por meio do mesmo Espírito, um juízo em todas as coisas, e perene regozijo em seu fortalecimento, pelos méritos de Jesus Cristo.” (LOC pag. 126.)

 

4.       No contexto judaico, a Festa de Pentecostes era uma das três festas de peregrinação do povo ao santuário (Páscoa e Festa dos Tabernáculos) Cf. Dt. 17,1-17.

 

5.      A Festa de Pentecostes era também denominada de festa das primícias, pois celebrava o inicio da colheita do trigo, ou festa das semanas, pois se realizava sete semanas após o sábado pascal.

 

6.      Ainda, o nosso Concilio se envolve dentro da moldura celebrativa de dois santos da Igreja. Santo Agostinho de Hipona, Bispo e mestre da fé, morreu em 430. Seu pensamento influenciou profundamente a Igreja ao se identificar com a “Cidade de Deus”, se tornou patrono da ordem religiosa.

 

7.      Nesta mesma moldura, recordo o Santo Aidan, Bispo de Lindisfarne, 651, conhecido como apóstolo da Northumbia. É creditada a ele a restauração do cristianismo na Inglaterra. Foi o fundador e primeiro bispo do mosteiro na ilha de Lindisfarne, local que tive a alegria de conhecer e caminhar pelas ruínas deste mosteiro na Ilha Santa, próximo a New Castle.

 

8.      Neste providencial contexto estamos realizando o XXIX Concilio Diocesano, novamente acolhidos pela nossa Catedral da Ressurreição, no primeiro ano que a revda Magda Guedes assumiu como Deã. E, aqui, já expresso minha gratidão a revda Magda, aos membros da Junta Paroquial , Umeab, juventude e todo o povo da Paróquia da Ressurreição.

 

9.      Neste Concilio, quero desafiar a Igreja Diocesana a seguir o chamado de Jesus Cristo aos seus discípulos: “naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos para outra margem” Marcos 4,35.

 

10.  Aqui, inicia o segundo bloco do Evangelho segundo São Marcos, no qual cresce o conflito, e ao mesmo tempo cresce o mistério. Depois de narrar as parábolas que revelam o mistério do Reino presente nas coisas da vida, o convite de Jesus é significativo: “passemos para outra margem”. Vai se abrir uma nova etapa.

 

11.  A travessia é à noite, é difícil e vem a tempestade. A travessia não termina ao chegar ao outro lado da margem. Nesse contexto, Jesus mostra aos discípulos quatro situações: Jesus vence o mar, símbolo de medo (Mc 4,35-41); Jesus vence e expulsa o demônio, sinal de libertação (Mc 5,1-20); e Jesus vence a impureza e a morte ( Mc. 5,21-43) símbolo de poder e vida.

 

12.  O texto que nos inspira (“passemos para outra margem”) nos desafia a caminhar com Jesus e os discípulos. Jesus chama os discípulos a se apartarem, parece que há necessidade e urgência em assumir novos caminhos e compromissos, e isso é uma exigência para todos, “e entram no barco.”

 

13.  Trata-se de um convite ousado e necessário. Passar para outra margem é um desafio, e esse desafio exige tomar um caminho. Recordo as palavras de José Comblin: “ter fé é acreditar no caminho de Jesus“ (O Caminho: ensaio sobre o seguimento de Jesus).

 

14.   O caminho que Jesus propõe é o mar da Galiléia (como era conhecido o lago de Genesaré). O mar é sempre o lugar do incerto, do medo, do incontrolável.

 

15.  A “travessia” para uma nova etapa é problemática e cheia de incertezas e medo. Disse Jesus: “como é que não tendes fé?” Mc. 4,40. É no barco, imagem da comunidade (oikia koinonica) que a crise deve ser revelada e administrada.

 

16.  O barco não significa a segurança, porém nos sentimos seguros porque estamos juntos, e podemos nos ajudar mutuamente a superar o medo, a enfrentar o novo, e a renovar a esperança.

 

17.  E a esperança começa quando já podemos ver que somos capazes de (re)fazer. Esperança é (re)afirmar a necessidade de mudanças. Ter esperança é agir, comprometer-se, pois enquanto não há ação não há esperança.

 

18.  Neste Concilio, nós estamos nos recolhendo como comunidade diocesana, em nosso barco da DAB que celebra 26 anos de caminhada. E quando avaliamos, e, sobretudo, quando olhamos para uma nova etapa a ser seguida, há “tempestades”e (des)esperança. Mas precisamos nos sentir seguros com o suporte dentro barco, estamos acompanhados por Jesus. A missão é de Deus, e não podemos deixar Ele fora deste projeto de missão.

 

19.  O medo e a agitação diante de novos desafios, de novas realidades, de novos projetos, podem revelar conflitos, mas estamos juntos para expressar nossos sentimentos. “Mestre não importa que pereçamos” Mc. 4,38. A imitação de Jesus é o caminho, por isso o barco (comunidade) é tão importante. Os discípulos precisam confrontar-se com seus medos e desesperanças.

 

20.  Segundo Rubem Alves, “coragem não é ausência do medo, mas é ir e fazer apesar do medo.” Com certeza, esse é um dos nossos desafios: superar o medo do novo. E, recordo, Pentecostes é a festa-convite que traz em seu coração o desejo de superar o medo.

 

 21.  Assim é preciso continuar a travessia, atendendo ao convite de Jesus “passemos para outra margem”.

 

22.  O conhecido navegador solitário Amyr Klink, em seu livro “Cem dias entre o céu e o amar” diz ”para se chegar, aonde quer que seja, aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão. É preciso, antes de mais nada, querer”.

 

23.  E aqui esta posto uma necessária decisão que precisaremos assumir neste caminho: vamos passar para outra margem?  Vamos superar nosso medo? Vamos entrar juntos neste barco “comunidade diocesana”? Há espaço para expressarmos nossos sentimentos, angustias, porém tenho a fé que não estamos sozinhos. Jesus está adiante de nós, acalmando a tempestade, e sendo nosso suporte para a missão.

 

24.  Digo, com toda certeza e segurança: a maior condenação a que estamos sujeitos no futuro será a omissão. Porque meios para se fazerem muitas coisas lindas existem. É preciso se comprometer e se sentir parte deste projeto que é de Deus.

 

25.  Tenho certeza de que poderemos entrar neste caminho, expressando nosso medo, mas assumindo o caminhar juntos. O medo não impede a esperança. E, com certeza, este desafio do novo é parte de nossa identidade e de nossa presença nos diferentes espaços de nossa área diocesana: Tocantins, Goiás, Distrito Federal e Noroeste de Minas Gerais.

 

26.  É neste caminhar que agimos a partir das ações de solidariedade e denúncia de toda injustiça, de acolhimento das pessoas em amor, pois esta é “uma Igreja que se preocupa com você”. No reafirmar da dignidade do ser integral e no serviço a crianças empobrecidas.

 

27.  Hoje, estamos iniciando nosso XXIX Concílio e queremos olhar para o novo planejamento diocesano, que será a própria bússola de nossa travessia para outra margem.

28.  Estamos nos preparando para passar para outra margem com dois projetos que estivemos buscando realizar nestes últimos anos e que se tornaram realidade. A primeira é a CASA A+, em Palmas, a qual acolherá pessoas vivendo com AIDS. A casa está pronta, e constitui-se em um projeto inédito na IEAB, sendo a única casa com esta destinação no estado do Tocantins.

 

29.  E segundo, a ASAS do Cerrado, que depois de cinco anos de gestação foi criada e teve a primeira diretoria e o conselho fiscal eleitos.

 

30.  Reafirmo que o escopo para este caminhar da missão da Igreja no poder do Espírito Santo é para:

·         Proclamar as boas novas do amor reconciliador de Deus em Jesus Cristo;

·         Batizar e nutrir a quem passa a crer em Cristo;

·         Responder às necessidades humanas com serviço e zelo;

·         Trabalhar pela transformação da sociedade de acordo com os valores do reino;

·         Salvaguardar a integridade da criação e a renovação da vida na terra.

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31.  Irmãs e irmãos, vamos adiante, pois Cristo irá à nossa frente abrindo as portas, e cuidando de cada qual, dando-nos força e energia para passarmos para outra margem.

32.  E desejo que, como Diocese, passemos juntos para outra margem:

·          Marcando o inicio do nosso PLAD 2012-2020;

·         Mantendo nossas ações de serviço, solidariedade e justiça;

·         Contemplando o agir da ASAS do Cerrado a partir de suas ações beneficentes, culturais, desportivas, educacionais, de meio ambiente, de saúde e de direitos humanos.

 

33.  Rogo a Deus que possamos juntos assumir este novo desafio, “passemos para outra margem” e que juntos vivamos a experiência do novo.

 

Que o amor de Deus no una.

            Do vosso Bispo, Dom Mauricio Andrade