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OS “MALDITOS” DIREITOS HUMANOS | Diocese Anglicana de Brasília

                                                                                                                              *Pedro Montenegro

 

Era meados de junho de 1776, quando Thomas Jefferson o principal autor da Declaração da Independência Americana e um dos Founding Fathers- “Pais Fundadores” dessa nação, escreveu: “consideramos estas verdades autoevidentes: que todos os homens são criados iguais, dotados de certos Direitos Inalienáveis, que dentre estes estão a Vida, a Liberdade e a Busca da Felicidade”.

 

meninos-soltando-pipas2.jpgOs Direitos inalienáveis à Vida, à Liberdade e à Felicidade que se apresentavam para Jefferson no século XVIII como cristalinas verdadesautoevidentes seguem em pleno século XXI sob fortes questionamentos. Há uma enorme aversão aos Direitos Humanos clássicos e, mais ainda, a sua ampliação para os grupos sociais historicamente oprimidos e espoliados como os negros, os índios, as mulheres e os homossexuais.

 

A cada conquista, avanço, ampliação, reparação na área dos Direitos Humanos sucede uma onda de barulhentos praguejamentos e insidiosas diatribes. Todos os dias os Direitos Humanos são Mal Ditos: eles são os culpados pela a extrema violência homicida no Brasil, os responsáveis pela a impunidade dos criminosos, os acusados de serem impiedosos e inclementes com as vítimas e complacentes e protetores com os criminosos.

Quais seriam as razões dos virulentos remoques aos Direitos Humanos?

O documento que inaugura o processo de universalização dos Direitos Humanos, a Declaração Universal, cujos 63 anos de existência hoje celebramos, é uma verdadeira carta de amor à humanidade. Uma carta de um amor, o mais apaixonado amor pelo injustiçado, pelo o mais sofredor. Um amor que não aceita fronteiras, assim como a primavera não escolhe jardim. Um amor, que não é amor de mercado, pois um amor tão sangrado não se tem pra lucrar.

 

Por que te perturba esse amor?  Sem máscaras por trás, um amor de humanidade, um amor de verdade por todas as pessoas ao redor do mundo. Um amor que é humilde é singelo e o destino mais belo é torná-lo maior. (Trechos da tradução livre da música Por Quien Merece Amor do grande compositor cubano Silvio Rodriguez.)

Se te perturba esse amor dos Direitos Humanos: indago como seria viver num mundo onde todas as pessoas não tivessem o direito à vida e à liberdade? Onde ninguém estaria a salvo da escravidão? Podendo todos os seres humanos serem submetidos à torturas ou ao castigos cruéis? Serem arbitrariamente presas ou exiladas? Ou ainda onde nenhuma pessoa teria o direito à liberdade de religião?

Como não amar a sua vida? Velar pela sua liberdade de opinião e crença? Regozijar com o seu direito de ser reconhecida em todos os lugares e em todos os momentos como pessoa humana? Se alegrar com o direito de constituir sua família? Valorizar o direito de participar da vida política de seu país? Entusiasma-se com o fim da escravidão? Reconhecer que os teus filhos crianças e adolescentes merecem uma proteção especial?

Aos Direitos Humanos rejeitados, incompreendidos, perseguidos, estigmatizados e amaldiçoados, só resta um imperativo a seguir face á incondicionalidade do seu compromisso inalienável: declarando o seu amor a todo o momento, por todas as pessoas e em todas as partes do mundo. Afinal, esse “amor é tudo quanto tenho; Se o nego ou o vendo, Por que respirar?” (Trecho da tradução livre da música Por Quien Merece Amor.)

 

 

*Pedro Montenegro – É Advogado, foi Coordenador Geral de Combate á Tortura da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República no Governo Lula.