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CARTA PASTORAL AO XXX CONCÍLIO DIOCESANO, | Diocese Anglicana de Brasília

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“…passemos para outra margem.”
Marcos 4,35.

“Todos nós sabemos alguma coisa.
Todos nós ignoramos alguma coisa.
Por isso, aprendemos sempre.”
Paulo Freire.

1.Queridos irmãos e Irmãs em Cristo reunidos nesta reunião conciliar, a graça e a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vocês.

2.Nosso Concilio se envolve dentro de um magnífico contexto. Estamos no Tempo da Páscoa, ontem foi o dia da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo. E ao final do Concilio, domingo 20 de maio, estaremos celebrando 30 anos do lançamento da pedra fundamental desta comunidade e abrindo a semana de Oração Pela Unidade dos Cristãos na proximidade do Domingo de Pentecostes.

3.Com certeza um tempo para (re) encontrar, partilhar, planejar e celebrar o caminhar missionário da Diocese Anglicana de Brasília.

4.Conforme tenho dito nesses dias, ainda é tempo de ouvir e sentir o grito de alegria “Aleluia Cristo ressuscitou! Verdadeiramente o Senhor Ressuscitou. Amém”.

5.No dia de ontem, a Igreja celebrou o Dia da Ascensão.  A Ascensão do Senhor nos céus marca o triunfo de Jesus Cristo e sua contínua presença conosco. Isto é uma questão de fé e razão, acessível apenas aos que crêem.  Porém este não é um privilégio somente dos cristãos. Ela é extensiva a toda humanidade, atingindo também aquelas pessoas que ainda vão crer. E por isso a experiência com Cristo é uma oferta a toda humanidade.

6.Tenho uma convicção de que a Ascensão de NSJC é porta aberta para a nova vida, é o caminho, é o encontro para a missão, acima de tudo é o Compromisso com o testemunho: “Sereis minhas testemunhas até os confins da terra”

7.Nestes dias recordamos a vida e testemunho do 25º Arcebispo de Cantuária, Arcebispo Dunstan, 980. Arcebispo Dunstan serviu como Bispo de Worcester, depois bispo de Londres, quando foi apontado como Arcebispo de Cantuária em 960. Ele ampliou. Foi um reformista. Contribui com a reforma na vida monástica e com a reforma na vida administrativa da Igreja da Inglaterra. Ele morreu 2 dias depois da Ascensão, 19 de maio de 980.

8.Continuamos inspirados pelo lema do Concilio anterior. “(…) passemos para outra margem.” (Marcos 4,35).  Com certeza continuamos na travessia, continuamos no desafio de mudança. Este caminhar exige tempo, mas, sobretudo, requer compromisso e dedicação.

9.O texto que nos inspira e nos desafia a caminhar com Jesus e os discípulos. Jesus chama os discípulos a se apartarem, parece que há necessidade e urgência em assumir novos caminhos e compromissos, e isso é uma exigência para todos: “e entram no barco.”
10.Trata-se de um convite ousado e necessário. Passar para outra margem é um desafio, e esse desafio exige tomar um caminho.
11. Caminhar é desafio, caminhar é compromisso, caminhar é responsabilidade, caminhar é envolvimento.
12.Por onde caminhamos neste ano? Quais os avanços que podemos mensurar em nossa caminhada de serviço e missão desde o Concilio passado?

13.Este ano estamos sendo carinhosamente acolhidos pelo povo da Paróquia do Espírito Santo, Pedregal, Novo Gama, e aqui vamos celebrar a festa da presença de 30 anos da Igreja, que foi um sonho de missão e se tornou uma realidade concreta.

14. Neste contexto, estaremos celebrando o ministério do povo desta comunidade e a liderança de três clérigos que contribuíram para o crescimento desta Missão que se tornou na segunda Paróquia Plena da Diocese de Brasília: Guilherme Luz, Mário das Graças e Luciano Souza Neves, atual Reitor da Paróquia do Espírito Santo. Aqui podemos recordar “eu plantei, Apolo regou, mas o crescimento veio de Deus” I Corintios 3,6.

15.O Concilio é a reunião-assembleia plena da vida diocesana.  Concilio é olhar junto, é está em comunhão.

16. O Concilio se reúne anualmente com a presidência do Bispo Diocesano, com a presença de todos os clérigos canonicamente residentes na Diocese, e com a presença dos delegados leigos de todas as comunidades diocesanas.

17.O Concilio tem a finalidade de tratar dos assuntos de ordem espiritual e material relativo à Diocese ou relacionadas à Província.

18.O Concilio é o momento de encontro diocesano. Quando pensamos na definição do que é a Igreja Episcopal Anglicana, é exatamente “uma Igreja DIRIGIDA pelo Bispo e GOVERNADA pelo Concilio” (CCA, 1978). Daí a importância de participação e envolvimento do povo leigo no Concilio. É sem dúvida a oportunidade do Bispo e o Clero ouvirem o povo da Igreja.

19.Neste Concilio vamos dedicar um significativo tempo para olharmos para a construção de um novo PLAD – Plano de Ação Diocesano - com vistas continuar construindo o sonho de ser Igreja, e sobretudo, ampliar nosso horizonte pensando em 2020. Como estaremos engajados na missão diocesana no ano de 2020?

20.Penso que cada vez mais precisamos olhar para dentro de nossos contextos missionários, e aqui recordo o que temos definido como prioridades missionárias desde 2004.

21.O Objetivo Geral da Diocese: “Fortalecer as comunidade existentes tornando-as vivas e missionárias”.

22.Nossa Missão: ser uma Igreja Missionária, sendo instrumento da propagação do reino de Deus anunciando e vivendo por palavras e atos o Evangelho. Dentro da nossa tradição vivendo na diversidade e inclusividade considerando e contexto cultural de cada comunidade.

23.Nossa Visão: Ser uma igreja ousada e dinâmica no testemunho do evangelhoe na ação missionária na promoção da vida, servindo no amor, fidelidade e solidariedade, fortalecendo as comunidades locais.

24. Tenho certeza que a recordação da Ascensão funciona no caminhar das Comunidades como um momento de avaliação. O olhar retrospectivo renova seu vínculo com o ponto de partida e recorda a Missão.

25. No ano em que o mundo se move para olhar para a Conferência Internacional das Nações Unidas  Rio+20, tenho convocado a Comunhão Anglicana e especialmente a IEAB a se envolver no compromisso de cuidar do nosso meio ambiente, a salvaguardar a integridade da criação que é parte de nossa missão como Igreja.

26. Paralelamente a Conferência Rio+20 haverá a reunião da Cúpula dos Povos, construída em três eixos : Justiça Social e Ambiental; Mudanças Climáticas e Juventude.

27. Com certeza é nesta via que nós como Igreja precisamos reafirmar nossa missão. É urgente nos posicionarmos  criticamente ao comportamento desenvolvimentistas dos governos.
28. Como Igreja  precisamos anunciar e denunciar que qualquer forma de desenvolvimento precisa levar em consideração a sustentabilidade e cuidado com o nosso planeta, resgatando o debate sobre a biodiversidade.

29. Quero me unir as vozes que reafirmam através das Religiões e Igrejas, que é importante neste momento de crise ambiental inserir a ética e espiritualidade como centro estruturante  do desenvolvimento.

30. O envolvimento nos assuntos ambientais não é uma opção, mas  precisa ser parte de nossa missão. Nossa área diocesana está dentro do Bioma do Cerrado. O Cerrado constitui o segundo maior bioma do Brasil. O Cerrado ocupa cerca de 2milhões de Km², isso representa 25% do território nacional.

31. Não é possível mais tratarmos o nosso planeta como sempre fizemos, como se este fosse uma espécie de baú  com recursos ilimitados. Estamos chegando ao limite. É preciso revisar os desejos consumistas.

32. A palavra profética de Genesis 2,15 “..tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Eden para o cultivar e cuidar”  nos convoca a uma responsabilidade impar de cuidar e zelar de nosso jardim comum obra da criação continuação da revelação do Deus da misericórdia e justiça.

33. Rogo a Deus que nos anime, que nos ofereça novo fôlego de energia, que nos traga nova esperança, e que possamos acreditar que com Cristo tudo é possível. Vamos continuar passando para outra margem.

34. Que neste Concilio possamos sair inspirados  na  renovação de nossa utopia. A utopia que não termina, mas que vai para além do horizonte da história, aquela que nos faz esperar “ porque os que esperam no Senhor, renovam suas forças, sobem com asas de águias, correm e não se cansam, caminham e não se fadigam.”Isaias 40,31.

35. E assim quero trazer três desafios para este Concilio:

* Ensino e Formação:  que cada comunidade diocesana assuma um projeto de formação e ensino na busca do fortalecimento no agir como seguidores do Cristo. E que este projeto envolva toda a comunidade. E ainda, que todas as comunidade se faça presente nos módulos de estudo presencial da Escola Anglicana de Missão neste ano de 2012.
* Responsabilidade Cristã, que o ano de 2012 seja o marco inicial do desafio da sustentabilidade financeira de cada comunidade. Que este seja nosso desafio para os próximos cinco anos.
* Compromissos com os Direitos, que cada comunidade diocesana aprofunde, explore e se envolva na participação e/ou elaboração de um projeto que aponte para os DHESCA’s _ Direitos Humanos, Econômicos, Sociais Culturais e Ambientais.

36. Peço que este três desafios sejam parte de nossa reflexão quando estamos pensando em nosso PLAD 2012.

37. Vamos adiante , o caminho se faz no caminhar e com persistência. Que possamos sair daqui animados a viver o compromisso de testemunhar  o seguimento ao Cristo que nos oferece vida, e vida em abundância ( Cf. João 10.10).

38. “Que Amor de Deus nos UNA;
Que a Alegria de nos INSPIRE
Que a Paz de Deus nos  ENVOLVA;
Que a Coragem de Deus nos SUSTENTE. E que para isso desça sobre nós
Bênção de Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, hoje e para sempre”.

Do Vosso Bispo.
Dom Maurício Andrade.