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30 anos da Ordenação Feminina na Igreja Episcopal Anglicana | Diocese Anglicana de Brasília

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“Eu lhes asseguro que onde quer que o evangelho for anunciado, em todo o mundo, também o que ela fez será contado em sua memória”.” (Mc 9:14)

A Diocese Anglicana de Brasília realizou, no domingo dia 12 de julho, a primeira Celebração Diocesana em Comemoração aos 30 anos de Ordenação Feminina no Brasil. Estaremos realizando mais três Celebrações ainda este ano, sendo as seguintes: por ocasião do XXXIII Concílio, em agosto p.v, em Brasília (Pregadora Revda Lúcia Borges); no dia 04 de outubro, em Brasília – (pregadora Revda Patrícia Powers) e; no dia 07 de novembro em Anápolis – (Pregadora Revda Tatiana Ribeiro).

Nessa primeira Celebração, a Diocese foi acolhida carinhosamente pela Paróquia de São Felipe, Goiânia, liderada pela Revda. Tatiana Ribeiro.  Atendendo o convite de nosso Bispo D. Maurício estiveram presente representantes da maioria da Comunidades Diocesanas e das Igrejas irmãs IECLB e ICAR, promovendo-se assim um belo momento de Encontro, Partilha da Palavra, Comunhão e Bênção com a família diocesana e ecumênica. Foi convidada a partilhar a palavra nesta celebração a Revda. Magda Guedes, que trouxe um pouco da história da caminhada da IEAB para chegar até a aprovação da Ordenação de Mulheres ao Ministério Sagrado.

A história do ministério feminino na Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, conforme conta o Revdo Oswaldo Kickhöfel , deu-se em dois períodos distintos. O primeiro período, que vai de 1890 a 1984, se refere ao ministério feminino leigo, isto é, não ordenado, e exercido exclusivamente por missionárias estrangeiras, na maioria americanas. Foram as primeiras sete mulheres corajosas que, por de um longo e difícil tempo, deram os primeiros passos para que o ministério das mulheres fosse reconhecido.

O segundo período, que vai de 1985 até os nossos dias, se refere ao ministério feminino ordenado, isto é, mulheres que foram ordenadas ao diaconato e ao presbiterado por um bispo de sucessão apostólica. Houve, anos antes, tímidas iniciativas de valorização do trabalho da mulher em algumas reuniões Sinodais; mas foi apenas em 1965 que o assunto começou a ser discutido. De acordo com o Revdo Oswaldo Kickhöfel, quem retomou a discussão da participação do elemento feminino nas juntas paroquiais e agora também nos concílios foi a Diocese Sul Ocidental em 1965, com o apoio do bispo diocesano, Dom Plínio Lauer Simões. Mesmo nessa época, o assunto ainda era polêmico, pois houve objeções por parte de alguns conciliares, alegando que a participação das mulheres (eventualmente a esposa, mãe ou filhas do ministro) poderia causar dificuldades ou constrangimentos aos concílios e às juntas paroquiais. Não obstante essas objeções, a ata do referido concílio registrou que “posta em votação, a matéria recebeu unânime aprovação. Aos poucos, as outras dioceses também passaram a admitir mulheres nas juntas paroquiais e nos concílios”. Mas este tímido e lento avanço não era ainda a ordenação feminina. Sua aprovação ocorreu na XXI Reunião do Sínodo em 5-8 de julho de 1984. Hoje, a IEAB conta com clérigas na maioria das Dioceses e Distrito  Missionário e, neste ano, comemoramos os 30 anos de Ordenação Feminina.

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O texto bíblico trazido para meditação, é o do Evangelho de São Marcos 14: 3-9; onde ouvimos falar de uma Mulher de quem pouco sabemos. No texto, ela é anônima, mas ela tornou-se protagonista na cena de um jantar. Acolheu Cristo, ungiu-o com o melhor perfume que tinha! Seu gesto foi ousado e audacioso, mas é valorizado e acolhido com gratidão por Cristo. Percebemos, também, neste texto, que Marcos nos traz a ação realizada por uma  mulher que não usou palavras, mas usou o que tinha de melhor(perfume). Seu gesto foi superior a palavras, foi ela que, com seu silêncio, declarou “Tu és o Cristo, o Messias”. Hoje, somos convidadas a derramar todo o nosso mais precioso perfume em favor de irmãs e irmãos que sofrem; poderemos nos perguntar: quem? Como fazer isso? Mas apenas o contínuo seguir a Cristo e a nossa sensibilidade nos dará pistas. Devemos abrir mão  do bom e precioso perfume, e também escutar o que o Espírito Santo nos fala a cada dia. Assim, encontraremos também motivação para transformar palavras em ações com ousadia.

Comemoramos 30 anos de Ordenação Feminina na IEAB e realizamos um Encontro, junho passado, com clérigas e teólogas leigas. Naquela oportunidade, fizemos uma declaração que diz: “saímos conscientes de nossas potencialidades e renovadas em nossas aspirações e compromissos para com todas as pessoas, isso inclui apoio e solidariedade aos movimentos sociais em todas as suas lutas.” Assim sendo, rogamos a Deus, Rhua Divina, que nos abençoe no caminhar com tantos desafios e que possamos também agradecer a Deus por todas as mulheres que nos antecederam com ousadia. Deixo aqui uma Poesia da teóloga e biblista Téa Frigério lembrando Marta, irmã de Lázaro e Maria:

Obrigada pela ousadia:

Ousadia que vence os medos

Ousadia que vence a rotina

Ousadia que vence a introgeção.

Ousadia das palavras

Ousadia das atitudes

Ousadia dos gestos.

Ousadia que supera o preconceito,

Rompe barreiras

Abre horizontes.

Ousadia de questionar,

Provocar, inquirir, repreender,

Interpelar, sugerir, antecipar,

Sair às ruas, ao encontro.

Ousadia que atenta falar de teologia,

Proclamar a fé

Ocupar espaços

Assumir liderança

Inventar o novo.

Obrigada Marta!”

Obrigada a Lídia, Ana, Sara, Agar, Maria, Marta, Madalena e muitas outras mulheres anônimas de ontem e de hoje, nossas companheiras de caminhadas, muito OBRIGADA por acreditarem que é possível sim, ter um ministério ordenado feminino nesta Igreja.

(Texto: Revda. Magda Guedes, Deã da Catedral da Ressurreição, Brasília/DF)